sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

em 2009...

Uma citação de Nisargadatta para inspiração no próximo ano:

Love says "I am everything".
Wisdom says "I am nothing".
Between the two, my life flows.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Prática da beira do mar

Estava passando um final de semana na praia alguns dias atrás, e fui até a beira do mar, naquela faixa que as ondas varrem quando chegam, e varrem de volta quando se vão, às vezes com água acima da canela, às vezes seco.
Observava o horizonte e as ondas, e ouvia cada som: os ventos, ondas quebrando lá no fundo, água raspando areia ali pertinho, espuma no ar, e um som base de fundo. Enquanto isso deixei os pés se fixarem na areia enquanto a água ia e vinha. Fechei os olhos e comecei a buscar o equilíbrio físico: conforme a água passava os pontos de equilíbrio dos meus pés com a areia mudavam. A cada mudança buscava novo ponto de equilíbrio, sem tirar os pés do chão, sem tirar a atenção de tudo o que ocorria em minha volta, de olhos fechados. Sem antecipar a chegada da onda por causa de um novo estrondo, mas buscando a flexibilidade a cada mudança. Sem tirar os pés do chão, aceitando cada diferente onda e volume de água, cada corrente e mudança de topografia da areia, apenas buscando fluir com a situação, em equilíbrio móvel, mas profundo. Percebi também como isto é a base de todo o aikido – mas isto fica para um outro dia.
Assim permaneci por um longo tempo.
Por vezes vinha para dentro (de mim mesmo) e me dava conta de um grande silêncio e paz. A simetria entre o externo e o interno é linda: a busca do equilíbrio físico (externo) exige plena atenção, e este estado é o mesmo, seja dentro ou fora. Assim quando estamos em um estado de maior harmonia fora, e nos voltamos para dentro, o mesmo estado ali se mostrará. E vice-versa.
Cada instante de vida traz uma possibilidade nova de aprendermos a buscar e compreender. Como no nosso trabalho diário. Ontem conversava com uma pessoa que faz mentoring comigo, e ela falava sobre seus pontos positivos / negativos e como “melhorar”. Às vezes estamos tão rígidos presos a uma necessidade de enquadramento - que é fruto basicamente dos nossos medos mais simples – que qualquer movimento diferente do previsto nos desequilibra, nos derruba. Há que ser buscada uma harmonia das nossas forças naturais com a realidade, de modo que possamos viver em estado de equilíbrio. Este estado de equilíbrio é único para cada indivíduo. Temos capacidades desenvolvidas e outras a desenvolver, mas não sob a ótica de um molde externo, e sim do ponto de vista mais sábio e interno, aquele que nos levará a um equilíbrio dinâmico com a realidade. Como permanecer em equilíbrio e paz à beira do mar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Liberdade

Dizemos ansiar pela liberdade, ansiar por tirarmos este peso de existir em uma certa forma, sermos livres... Quão amplamente ilusórios e plenos de ignorância são nossos desejos recorrentes. Mas se somos fundamentalmente o brilho da ignorância associado a um reflexo da infinita consciência, não há qualquer surpresa nisso. De fato se diz que a ignorância (em um sentido bastante alto) é que dá forma a nós enquanto indivíduos, pois a remoção da primeira nos leva de volta ao estado não-dual de existência plena. É como a poeira (ignorância) que dá forma a um invisível espelho de cristal (Consciência).E quando uma pequeníssima área deste espelho é limpada o brilho é tão forte que – algumas vezes – nos faza recuar. De volta ao conforto das certezas nascidas da dúvida.
A liberdade é tão potencialmente devastadora que por vezes nos traz nossos mais remotos e profundos medos. Perceber que de fato somos algo de natureza muito distinta daquilo que usualmente nos acostumamos a pensar que somos traz um assombro comprido, altíssimo, sem chão. Dar-se conta de não ser uma personalidade e mesmo assim observar que se pode seguir vivendo de modo realmente livre é espantoso. O que fazer com todo aquele arsenal de gostos, apegos, raivas de estimação, justificativas e medos colecionados? Como abrir mão desta minha imagem tão árduamente moldada? Aqui começa o trabalho do buscador, pois há que se suar, e muito, muito mesmo.
A liberdade não é fazer o que você quer. Veja o contra-senso: você quer controlar a sua forma de liberdade. Uma vontade da sua personalidade, nascida de seu desejo e apego, só gera mais desejo, apego e controle, qualidades que não levam à liberdade.
O livre arbítrio de não se apoderar do que ocorre, aceitar fazer parte do mundo sem buscar um fruto egoísta: esta é a natureza da liberdade. Ao alcance do coração, para todos nós. Mas precisamos buscar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Samsara e karma

Karma é o potencial de ocorrências futuras que geramos através de nossas ações, palavras e pensamentos. Não é algo em si mesmo bom ou ruim, é apenas a concretização da lei de causa e efeito. Porém em uma dimensão muito, mas muito maior do que podemos conceber.
Imaginemos um tecido que, em vez de possuir duas dimensões (como uma tela de algodão bem fina) possui n-dimensões, com infinitas tramas que se cruzam e re-cruzam. Cada uma destas tramas é composta de fios de algodão multi-dimensional, e cada um destes fios tem sua densidade, cor e textura características. É nesta trama sem tempo que navegamos escorregamos e nos envolvemos – enquanto centelha de essência – ao longo do nosso longo, longo, longo ciclo de existência.
No Vedanta, para efeito didático, se consideram três tipos de Karma:
sanchita karma: todo o imenso tecido de karma constituído desde o início do ciclo de existência individual;
prarabdha karma: pequeno retalho do sanchita karma, o tecido desta existência específica (desta personalidade temporária);
agami karma: novos ramos e tramas de tecido construídos nesta existência específica;
Assim surge naturalmente a pergunta: como criamos karma? E como é possível dissolvê-lo? De modo bem simples criamos karma de dois modos: quando buscamos o fruto de nossas ações ou quando nos colocamos como “fazedores” da ação. Estas duas vertentes tem em comum a presença – no nascimento da motivação da ação – da personalidade, o “eu”. Assim, se utilizamos nosso sistema físico-emocional -mental de modo puro – isto é, sem o desejo de obter o fruto para si mesmo, sem a pretensão ilusória de ser quem faz a ação – não há geração de karma. Isto ocorre em estados de consciência em que não há a presença do “eu”, como a observação, a concentração e a meditação – e o sono, graças a Deus.
O estado em que vivemos 99,99% do tempo em que estamos acordados é o estado de pensamento, que existe sempre que há o “eu” pensando. É neste estado em que se gera – quase constantemente – karma. Em outras palavras estamos constantemente tecendo as novas fibras potenciais do imenso tecido, aumentando e aumentando estas tramas. Na linguagem do mestre cristão Daskalos estamos quase continuamente gerando “formas-pensamento”: são os pensamentos encharcados de desejo – qualquer que seja sua natureza. E estas formas-pensamento são de fato criaturas vivas, energizadas por nossa própria vitalidade, e tem como missão de vida fazer cumprir o desejo que as gerou. É deste modo que podemos enxergar como muitas pessoas se transformam em escravos de suas próprias formas-pensamento, seus mais queridos bichinhos de estimação, que acabarão – como nos mitos – por devorar o mestre.
Estas formas-pensamento também tem seu aspecto coletivo, que fica muito evidente em casos de violência (por exemplo: TV transmitindo sequestro ao vivo), pornografia, torcida de futebol, etc. É muito fácil nos vincularmos a uma forma coletiva – basta visitar um shopping-center e observar em si mesmo como a forma coletiva do desejo de consumo se apresenta e traz efeitos em seu próprio sistema emocional. É assim que a grande trama do karma forma também o tecido potencial de grupos, como cidades e países.
Vinculado ao conceito de karma está o ciclo incessante de existências, a roda de samsara no budismo. Giramos e giramos a roda, sempre caindo e voltando aos mesmos pontos, até que comecemos a nos dar conta, a tomar consciência. Podemos observar o micro-cosmo desta roda dos éons em nosso minúsculo ciclo de vida atual: quantas vezes já não caímos nas mesmas armadilhas pessoais? Situações que se repetem e padrões de resposta idênticos; grande alegria e prazer, seguido por grande dor e sofrimento... e assim segue nossa vida. Agora potencialize isto través dos milênios, e podemos ter um pequeno vislumbre da imensa roda de samsara, motorizada por nossa não menos imensa ignorância.
Como encontrar a solução para o karma e o samsara? Comecemos com os pequenos passos dos infantes neste assunto: prática da meditação e atenção aos pensamentos e atos, aquilo que temos sempre trazido aqui. Esta é a busca.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Medo e certeza

“O medo é tão somente a ausência da certeza de Ser”. Assim, de modo fulminante, explica Ivan (Sesha) o sustentáculo de todas as nossas mais profundas justificativas para nosso arsenal de hábitos repetitivos tão intimamente conhecida como “eu”. E como nosso incansável operário padrão chamado mente tão raramente cessa de operar, nos é quase inalcançável a compreensão desta simples sentença. De fato, para a maquina de operações lineares conhecida por mente, tal compreensão é inalcançável.
Não consta do leque de possibilidades desta máquina compreender as grandes verdades (Mahavakyas, como por exemplo ‘Tat Tvam Asi’, ‘Tu és Aquilo’), assim como não consta do leque de possibilidades do ser humano voar (sem ajuda), ou como parece inconcebível para o círculo plano o volume da esfera.
Apenas através da prática, da busca incessante, do desapego dos desejos, é possível se tornar digno de compreender estas verdades. Sim, uma questão da dignidade, de amadurecimento do Ser. Através deste caminho sem mapas, sem quilometragem ou GPS, aos poucos (ou não) se esgarça o grosso tecido dos desejos sem fim da personalidade, e neste pequenos vazios que surgem da trama do tecido há um potencial risco de se compreender quem somos.
Daí que compreender que o medo é a ausência de certeza de Ser se torna talvez tarefa (ou diversão) para vida(s). Por agora bastaria para nós – potenciais discípulos da busca - que tomássemos um minuto para admirar nossa ignorância. Sentemos à beirada da montanha, abaixo este imenso vale, observando a grande obra: a ilusão de que somos separados do que vemos e vivemos. Deste cenário de ilusória solidão nasce o medo primordial, e desde este ponto – comum a todos nós – se abrem miríades de naturezas de medos e seus derivados, que são afinal os pilares da personalidade – do “ eu” – tão estudada pela psicologia.
O que nos cabe não é buscar mais justificativas para esta construção, mas sim buscar a realidade por entre e por trás desta construção.
Saber que existimos é um ato natural, é uma das poucas coisas que podemos ter certeza que sabemos, pois nos damos conta que somos. Esta compreensão sempre existe. O problema é a dúvida que aparece em seguida. Se não abrirmos brecha para a dúvida (prática, prática, prática, desapego, desapego, desapego), esta certeza permanece viva por um pouco mais de tempo. Neste momento não há pensamento que surja, pois a raiz dos pensamentos está na agitação mental, motorizada pela dúvida. A admiração genuína e profunda pelo fato de que existimos nos leva a uma quietude sem limites, quando é possível se dar conta da consciência que permeia o que se chama de espaço, se dar conta de que somos esta consciência que ilumina o espaço, e também o que quer que seja iluminado. Este é um estado de não-dualidade.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Líderes

Tantas bobagens são pensadas, escritas, editadas e vendidas a uma velocidade impressionante nestes tempos. Maior que a capacidade de pensar e escrever só a capacidade de absorver e acreditar por parte dos leitores-consumidores. Um dos campos mais férteis é o da neo-administração, em que a saraivada de edições sobre a “liderança” se mostra a cada ano mais potente. Há que se ter imenso cuidado com as lideranças. Quem são líderes afinal de contas? O que são? Neste vasto mundo das organizações e da política posso garantir que na sua totalidade não são pessoas “diferentes” ou “especiais”. Infelizmente não são.
Já escrevi antes sobre o sutil mecanismo de hábitos mentais que criamos, individualmente, de um modo quase contínuo ao longo de nossas vidas. Dia após dia reforçamos aqueles caminhos preferidos, reforçamos as reações prediletas, reforçamos as cadeias de emoções de que somos mais sedentos e famintos, e passamos a crer que verdadeiramente somos assim... e de fato, desde este ponto de vista daquele sujeito cujas entranhas e esqueletos psíquicos foram assim moldados, somos assim mesmo. Ou seja, do ponto de vista da criatura de argila moldada pelo reforço destes hábitos, a criatura de argila existe, e é daquela forma. Porém, alguns poucos segundos seguidos de atenção à realidade – vejam bem, atenção à realidade e não à sua interpretação da mesma - mostram que a criatura é uma construção, é ilusória em essência. Algo consegue perceber a criatura de argila, e o mais interessante é que este algo não faz parte da própria criatura (ou não conseguiria observá-la). Daí nossa oportunidade de liberdade, nossa esperança de viver de modo pleno.
Voltando aos líderes: o que são estas pessoas? Ora, poderosíssimas criaturas de argila. São pessoas, ainda que bem intencionadas (qualquer que seja a régua dos pólos éticos de bem e mal utilizada), amplamente enredadas nas teias de seus hábitos e reforços mentais. São pessoas dirigidas por suas próprias e queridas máquinas de ganhar docinhos emocionais, e que fazem uso da alta potência de suas máquinas de modo amplo. Conforme nossas tarefas e lições karmicas estas máquinas tem potências diferentes, ainda assim são todas ilusórias. Não é libertador se dar conta da ilusoriedade de todos nós enquanto criaturas de argila, todos de potências, tamanhos e formas variados, que não tem de fato importância alguma.
Assim há que se ter cuidado com as lideranças. Seja seu próprio líder, busque aquilo em você mesmo que não é moldado pelos seus adorados vícios e mimos, busque aquilo que É e sempre foi em você mesmo, não há liderança mais verdadeira. Nada há que se busque fora que possa chegar perto de substituir Isso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fim de semana com Ivan

Depois das férias (voltei semana retrasada) este foi o final de semana com o workshop do Ivan aqui em São Paulo. Ele seguiu para o Rio de Janeiro, onde fará outro workshop este final de semana.
Acompanho o Ivan há nove anos, e pelo menos uma vez por ano tenho esta oportunidade de mergulhar um pouco mais no universo da busca do auto-conhecimento. Não sei se vocês se dão conta da raridade desta oportunidade, e da grande sorte de poder ter esta experiência. Pois para mim, ano após ano, sempre vem uma gratidão imensa após cada encontro.
Estivemos no final de semana no Instituo Brahmavidya, comandado pelo Elói, com cerca de 30 pessoas, incluindo alguns colegas argentinos que vieram especialmente para o encontro. E todos pudemos relaxar a angústia da ignorância ao viver (mais que ouvir) as palavras e a presença do Ivan. Após poucos dois dias de compartilhar, ele se despediu com seu bom humor encharcado de compaixão.
Para alguns daqueles que lá estiveram, um marco de mudança na vida; para outros, uma névoa de mistério; para outros ainda a tranqüilidade da certeza. Não importa, todos certamente perceberam a sutileza da nossa existência por trás do sempre bruto ‘eu’.
Há um grande grupo de alunos do Ivan na Espanha, e parte deles construiu e um site na internet que contém uma série de textos e vídeos do Ivan, além do calendário de atividades na Espanha e no Brasil. Aí vai o endereço: http://www.vedantaadvaita.com/; há também o site brasileiro, coordenado pela Regina: http://www.vedantaadvaita.com.br/.
Caso algum de vocês se interesse em conhecer mais, podem entrar em contato comigo (e-mail: marcosthiele@yahoo.com), ou podem procurar o Instituto Brahmavidya, onde vários cursos são ministrados (Elói: 5506-5220).

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Guru

Muito se fala e escreve sobre o que é um Guru, um mestre, seu papel, se é realmente necessário, etc. Afinal o que é um Guru?
A explicação mais pura (no meu entendimento, como sempre) é que o Guru, ou mestre, apenas reflete de forma “real” aquilo que o discípulo, ou aprendiz, ou buscador, precisa. A forma externa do mestre é um modo concreto de a grande roda do karma colocar à nossa frente aquilo que é precisamente necessário para os passos que devem ser dados neste ciclo.
Em uma trilha de tom mais devocional a entrega ao Guru é a porta para a entrega ao Absoluto e a Si-mesmo, pois o primeiro o segundo e o último são a mesma coisa.
Todos os livros contendo conversas entre Mestres como Ramana e Nisargadatta e seus disípulos em um momento ou outro relatam sua visão sobre o tema. Invaravelmente a reposta última é que o Guru verdadeiro e real está dentro de você.
Assim nas várias tradições a descrição e função precisas do mestre podem variar, mas a essência é a mesma.
Alguns poucos nascidos-maduros como Ramana Maharshi não tiveram um guru na defnição mais formal do termo; mas foram muito poucos. Praticamente toda a linha de rinpoches budista é formada na esteira de um rico caudal de Gurus.
No mundo ocidental esta visão (do Guru) é muito difícil de ser concebida, quanto mais compreendida... oxalá alguns de nós possam finalmente aceitá-la de coração.
Assim, para nós seria uma imensa sorte cruzar o caminho com um mestre que nos toque o coração e a alma. Menos raro é cruzar o caminho com falsos instrutores que manipulam emocionalmente seus ‘alunos’, e – por vezes com boas intenções, mas perdidos em suas egotrips – criam desvios imensos da trilha da busca.
A cada um de nós, com sua qualidade específica, sua combinação de talentos e dificuldades, sua aptidão e seu conjunto de lições a aprender, nos é possível encontrar um caminho de busca que nos mostre não haver nada mais importante nesta vida. Em cada caminho destes é possível encontrar um Mestre, um guia do caminho.
Foi assim para mim ao trombar com o caminho do Vedanta Advaita e vislumbrar, lá embaixo em um penhasco, depois de capotar e cair, a figura do guia do caminho, meu Mestre Ivan Oliveros, o Sesha.
Não vou escrever sobre ele, pois Ivan estará no Brasil novamente este ano, e para alguns de nós esta é uma oportunidade verdadeiramente única de entrar em contato com um Mestre que toca almas e corações, e, sem falsa compaixão, nos ajuda a compreender, por nós mesmos, como seguir neste caminho.
Este ano Ivan fará os seguintes trabalhos:

Progamação 2008 de Cursos e Palestras:
São Paulo

Palestras Gratuitas

05 de setembro (sexta-feira)
Horário: 19:30h
Local: ICDEP
R. Jureia, 349 - Chacara Inglesa
Tel.: (11)5549.0642

10 de Setembro (quarta-feira)
Horario: 19:30h
Local: Instituto Brahmavidya do Brasil
R. Indiana, 1403

12 de setembro (sexta-feira)
Horario: 17:30h
Local: Auditorio Brasil Tufik
R. Napoleão de Barros, 935

Cursos : Meditação

06 e 07 de setembro (sábado e domingo)
Horário: 09:00 às 16:00h
Local: ICDEP
R. Jureia, 349 - Chácara Inglesa
Tel.: (11)5549-0642
Valor: R$ 300,00
Inclui refeição leve no almoço e coffee break

13 e 14 de Setembro (sabado e domingo)
Horario: das 09:00h ás 16:00h
Local: Instituto Brahmavidya Do Brasil
R. Indiana, 1403
Tel.:(11)5506-5220
Valor : R$ 300,00
Inclui refeição leve no almoço e coffee break

Rio de Janeiro

Palestras Gratuitas:

16 de Setembro (terça-feira)
Horario: 19:30h
Local: Livraria Argumento- Copa
End. R. Barata Ribeiro, 502
Tel.:(21) 2255.3783

19 de setembro (sexta-feira)
Horario: 19:30h
Local: Espaço Nirvana Gavea
Pça. Santos Dumont, 31
Jockey Club- Tribuna A
Tel.: (21) 2187.010 - Recepção

Curso Meditação

Dias 20 e 21 de setembro
Sábado das 09:00h às 16:00h
Domingo das 10:00h às 14:00h
Valor: R$ 290,00 (parcelamento em até 2 vezes)
O almoço não esta incluso, mas o restaurante do espaço estará à disposição dos participantes com preços promocionais.

Informações e inscrições: info@vedantaadvaita.com.br
em São Paulo:
Regina
(11) 9189-8990 ou (11) 3085-7101 Ruth
(11) 3361-4954 ou (11) 3666-8502

ICDEP: (11) 5549-0642 Instituto Brahmavidya: (11) 5506-5220 - Eloi ou (11) 9101-9086

no Rio de Janeiro:
Nirvana Gávea : (21) 2187-0010
Alvaro Piano : (21) 2255-3783

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O pasmo essencial

Hoje não tenho melhor alternativa que compartilhar com vocês a aula de Presença que é este poema de Fernando Pessoa.
Bom proveito.

O Meu Olhar
(F. Pessoa /A. Caeiro)

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Epifania

Definições usuais de epifania:

“A Epifania representa a assunção humana de Jesus Cristo, quando o filho do Criador dá-se a conhecer ao Mundo. A Epifania do Senhor (do grego: Ἐπιφάνεια, : "a aparição; um fenômeno miraculoso") é uma festa religiosa cristã que... passou a ser comemorada 2 domingos após o Natal.”
“Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa" do problema. O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão I just had an epiphany, o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural).”
Adoro estas definições... “quase sobrenatural”, como se soubéssemos definir o que é natural, como se a vida que levamos imersos nos labirintos dos desejos, apegos e moto-contínuo de pensamentos - gatos enredados em um novelo de lã sem fim - fosse natural.
Não é interessante esta palavra, epifania? Todos já vivemos vários momentos como esse em nossas vidas. É um instante de compreensão verdadeira; um instante em que nos sentimos não diferentes de tudo o que nos cerca; um instante de amor por tudo e todos; um instante de paz profunda. Ou tudo isso ao mesmo tempo.
Nos grupos de prática sempre pergunto por estes instantes, e invariavelmente a resposta é que sim, este momento já existiu em minha vida. Alguns se lembram do instante em que ouviam uma música e por um momento a música e o ouvinte eram uma só coisa, um arrepio corre o corpo, todas as sensações se ampliam, cada instrumento e voz é ouvido separadamente e integrados ao mesmo tempo. Outros se lembram de surfar aquela onda perfeita e o silêncio profundo daqueles segundos de harmonia perfeita entre onda, prancha e surfista. Outros ainda se recordam de uma compreensão profunda – uma grande ficha que cai e parece que o mundo todo espera, num tempo mais lento, enquanto o todo faz algum sentido – e qualquer um que já presenciou isso sabe da potência do brilho dos olhos deste momento.
O que todos estes instantes – epifanicos – tem em comum? O “eu” da personalidade não está lá. É verdade, não está. Se ele estivesse não seria uma epifania. Não é o pequeno eu que passa por estas experiências; mas quando ele está ausente, então elas podem ocorrer. O motivo é simples: estas experiências passam muito longe do pensamento comum; enquanto nossos “canais” estão entupidos com pensamentos não é possível que qualquer outra coisa seja perceptível. Quando deixamos nossos canais vazios de pensamentos, outras percepções podem ocorrer. O “eu” apenas se apropria destas experiências (memória) depois que elas passam.
Segundo o Vedanta, em parte similar às proposições de Patanjali, temos diversos estados de existência ou consciência: sono, pensamento, observação, concentração, meditação e samadhi. Nós vivemos 99,9% de nosso tempo nos dois primeiros. Estes instantes de epifania pertencem aos outros estados, na maioria das vezes ao estado de observação ou concentração.
O “eu” enquanto sujeito só está presente enquanto pensamos. Ele não tem continuidade (nem enquanto dormimos). Entretanto nossa civilização ocidental tem como um dos principais cânones o “eu” como sujeito permanente e separado do mundo real – basta ver o nó filosófico que as implicações da física quântica causam ao demonstrar que o observador (o sujeito) altera a realidade.
O Vedanta explica que para cada um dos estados de consciência há um sujeito correspondente – até chegar ao estado de meditação em que o sujeito é Atman, “...o sujeito que conhece o universo enquanto simultânea e ubiquamente conhece a si mesmo.(*)” A permanência no estado de meditação leva ao Samadhi, estado em que se é Sat-Chit-Ananda: Existência, Consciência e Bem-aventurança infinitas e absolutas.
Entre a meditação e o pensamento temos a possibilidade de experimentar os estados de observação e concentração, em que a outros sujeitos é permitido atuar – e ao que ás vezes damos o nome de epifania.
Como podemos ver há muito o que se explorar além do nosso novelo-novela de pensamentos e fantasias, e o caminho é a prática.

(*) Ivan Oliveiros