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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
A grande verdade sobre meditação
Existe um universo de livros e textos sobre esta palavra “meditação”. A grande maioria não passa de uma coletânea de pensamentos adocicados, como se a prática da atenção plena interna (descrição do que normalmente se chama de meditação) fosse um passeio a uma Disneilândia em que algodões-doces do materialismo espiritual estivessem à venda.
Pois deveríamos todos ler muito menos, e praticar. Basta uma verdade para várias vidas de prática. Eis então esta simples verdade para as nossas próximas vidas de prática. No momento em que estiver percorrendo a prática de atenção interna (“meditando”), saiba simplesmente isso: quando você se der conta de que está pensando, está então no presente.
Ao iniciarmos a prática de atenção interna inevitavelmente pensamos - pois a inércia do hábito de pensar no dia a dia naturalmente nos conduz para permanecermos no mesmo estado em que vivemos, ou seja, pensando.
Enquanto pensamos, não há nada a fazer, pois estamos perdidos no pensamento. Assim como quando estamos dormindo não há nada a fazer até despertarmos. Trazer pensamentos de esforço e desejo, de vazio e silêncio, de nada adianta, posto que são apenas mais pensamentos. Entretanto, pela graça divina, há instantes em que algo se dá conta de que está pensando. Este é o momento chave. Neste momento estamos presentes. Permanecer aí, naquilo que observa e está presente, é a chave e a única oportunidade da prática.
As grandes divindidades, as visões do nirvana, os devas... são todos muito simpáticos, mas não fazem sentido para nós que permanecemos viajando em nossas maioneses ininterruptamente, e de repente desejamos que com alguns minutinhos de prática o mundo espiritual se abra como se fosse algo separado, e que ao mesmo tempo siga os mesmos cânones de nosso mundo material egóico.
Saber que quando nos damos conta de que estamos pensando estamos presentes. Isto, apenas, é suficiente para os próximos dez anos de prática. O resto, como diz Sesha, é perfumaria.
Abraços,
Marcos
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Silêncio interior
A prática interior é - talvez para a imensa maioria de nós - o único pilar que consiga representar a sensação de certeza profunda sobre algo na vida. Segundo dizem os grandes sábios o que existe em verdade, é Sat-Cit-Ananda.
Sat (existência, ser), Cit (consciência, sabedoria e conhecimento) e Ananda (bem aventurança, amor pleno como agente de integração) existem em uma dimensão que é subjacente, que dá base à própria existência.
Como podemos ter contato com aspectos - ainda que tênues - desta realidade última?
Imersos em nossos hábitos mentais de comportamento, que puxam a cada instante de percepção infindáveis elementos comparativos de memória, é muito difícil encontrar um momento de certeza. Estes hábitos, continuamente reforçados, acabam por trazer mais e mais diferenciação, isto é, momentos em que não estamos atentos ao presente que se sucede, mas sim envoltos pelas familiares vozes mil das cadeias de pensamento e memória, julgamento e distância. Conforme o tempo passa estes hábitos se tornam mais fortes, pois cremos com toda a convicção que somos eles.
O único elemento capaz de desfazer esta trama é a atenção. A atenção aparece por trás, antes dos próprios hábitos mentais. Ao observarmos conscientemente estes hábitos eles se tornam mais frágeis, menos senhores de nós mesmos. Ao longo de muitos anos de uma vida a prática enfraquece os hábitos e dá oportunidade para um viver consciente. Ao longo de alguns minutos de uma prática de atenção interior (meditação) a atenção aniquila imediatamente o hábito que surge na forma de um pensamento ou emoção, permitindo uma percepção daquilo que existe antes do jogo de cenas de um teatro de fantoches.
A prática do silêncio é a porta para a chance de se resvalar na certeza da existência, da consciência, da bem-aventurança.
Quieto, com o corpo e os sentidos acalmados, atento ao que se passa internamente. Atento e curioso, investigando o que afinal é isso que somos, como se expressa. Atento ao compreender que existe antes de qualquer pensamento, imerso no vazio que é pleno de movimento e vida. É possível se perceber como se flexibilizam e aos poucos se mostram ilusórias as cadeias de restrições que nos fazem imaginar que o que existe é o corpo material, este “eu”, ou mesmo que somos “algo” independente. Atentos, quietos e profundamente mergulhados em nosso próprio campo de existência, as certezas de uma mente pensante rapidamente se mostram duvidosas, e por fim falsas, ilusórias. Aquilo que compreende, como um espaço novo que se abre em nosso próprio espaço interno, se revela como tendo estado sempre ali. A compreensão completa de não ser algo, e ainda assim a completa certeza de ser.
Este perfume que resta de uma prática interior não pode ser expresso em conceitos compreensíveis pela mente linear, mas ele permanece vivo como uma certeza mais profunda - ainda que em um campo sutil - da trama de fluxos de existência, consciência e amor que nos compõe.
Abraços,
Marcos
domingo, 31 de julho de 2011
Travessia
Assim disse Nisargadatta sobre a meditação:
“Nós conhecemos o mundo externo das sensações e das ações. Mas do mundo interno de pensamentos e desejos nós conhecemos muito pouco.O propósito primário da meditação é se tornar consciente com nossa vida interior. O propósito último é alcançar a fonte da vida e consciência. Incidentalmente a prática da meditação afeta profundamente nosso caráter. Nós somos escravos do que não conhecemos. Quando descobrimos qualquer vício ou fraqueza e compreendemos suas dinâmicas e causas nós as superamos pelo próprio conhecimento. O inconsciente se dissolve quando trazido à consciência. A mente se aquieta.”
O impacto que a prática de atenção constante ao presente tem na dinâmica da personalidade não é o objetivo da própria prática. A atenção ao aqui e agora tem como impulso a constatação de que esta é a única forma real de ser, a única maneira de compreender. As disciplinas (sadhanas) são necessárias para que os hábitos arraigados sejam aos poucos dissolvidos, trazendo quietude mental. Assim é crucial a prática interna de silêncio, uma disciplina necessária para cortar a indulgência na qual normalmente navegamos. Aos poucos a mente começa a encontrar um estado mais quieto, o que permitirá que a atenção se fixe mais continuadamente no presente.
Esta é uma longa travessia do irreal e oculto para o real e auto-luminoso.
Nesta segunda-feira retomamos o grupo de meditação semanal às 19h30 no Instituto Brahmavidya. Fica o convite para os que buscam a coragem de empreender a travessia.
Abraços,
Marcos
“Nós conhecemos o mundo externo das sensações e das ações. Mas do mundo interno de pensamentos e desejos nós conhecemos muito pouco.O propósito primário da meditação é se tornar consciente com nossa vida interior. O propósito último é alcançar a fonte da vida e consciência. Incidentalmente a prática da meditação afeta profundamente nosso caráter. Nós somos escravos do que não conhecemos. Quando descobrimos qualquer vício ou fraqueza e compreendemos suas dinâmicas e causas nós as superamos pelo próprio conhecimento. O inconsciente se dissolve quando trazido à consciência. A mente se aquieta.”
O impacto que a prática de atenção constante ao presente tem na dinâmica da personalidade não é o objetivo da própria prática. A atenção ao aqui e agora tem como impulso a constatação de que esta é a única forma real de ser, a única maneira de compreender. As disciplinas (sadhanas) são necessárias para que os hábitos arraigados sejam aos poucos dissolvidos, trazendo quietude mental. Assim é crucial a prática interna de silêncio, uma disciplina necessária para cortar a indulgência na qual normalmente navegamos. Aos poucos a mente começa a encontrar um estado mais quieto, o que permitirá que a atenção se fixe mais continuadamente no presente.
Esta é uma longa travessia do irreal e oculto para o real e auto-luminoso.
Nesta segunda-feira retomamos o grupo de meditação semanal às 19h30 no Instituto Brahmavidya. Fica o convite para os que buscam a coragem de empreender a travessia.
Abraços,
Marcos
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Arte e o caminho da ação
Na semana que vem, dia 2, estarei na ABRA Vila Mariana para uma palestra em que conversaremos sobre o tema “Obra sem artista: a arte como meditação”.
Todos nós já experimentamos momentos de mergulho no instante presente em que a sensação de plenitude, ou de paz, ou de amor, ou de vitalidade, parecia ser maior que nós mesmos. Estes são instantes de presença intensa, instantes em que a surpresa de uma paisagem parece te sugar completamente até que não haja um eu que se sinta sugado, apenas a paisagem; instante em que a intensidade de um debate parece te levar a ouvir o que você mesmo fala; instante em que a pista escorregadia percorrida pela motocicleta na chuva parece ser a mesma coisa que a própria moto e o piloto.
O que estes instantes tem em comum?
São momentos em que se estava presente, realmente, ao que acontecia. Nestes momentos a atenção deixa de se alojar na massa de memória mental como combustível para sua agitação - isto é, gerando mais e mais pensamentos - e se desloca para a realidade que se sucede naquele instante.
Este movimento da atenção, saindo de dentro para fora, é condição necessária para estarmos presentes em ação no nosso dia a dia. A atenção focalizada na realidade que acontece subtrai a energia de sustentação do pensamento de um “eu” que se crê controlador e beneficiário de cada ação que fazemos. Deste modo se encontra a liberdade do atuar espontâneo, uma cadeia de reações ao instante sem que haja um sujeito que busque um resultado ou um fruto com aquela ação.
Este é o caminho chamado karma yoga, o caminho da ação. Para nós - humildes seres iludidos pela cortina da certeza do “eu” - o discernimento, isto é, a compreensão do que é real, ainda está bastante distante, e a trilha para se exercitar o músculo do discernimento é o caminho da ação, pois ela se apresenta ininterruptamente ao longo de todos os minutos de nossa vida.
O fazer artístico é um dos modos mais claros de pesquisa sobre a percepção da ação presente, quando a atenção não se prende ao sujeito que se imagina agindo, mas se totaliza com a realidade percebida. Sem intencionalidade, sem desejo, resposta em tempo-zero à realidade.
Para os interessados seguem os detalhes da palestra (inscrições na própria ABRA)
Data: 2 de março
Horário: 20h00
Local: ABRA Vila Mariana
Rua Domingos de Morais 2267 (próximo ao metrô Santa Cruz)
T. (11) 3564-2696 3564-2695
www.abra.com.br/vilamariana
Abraços,
Marcos
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Meditação na rede
Olá amigos,
começando a aquecer os motores de 2011, voltaremos na semana de próxima semana com o grupo de meditação semanal.
Começo este ciclo do blog com uma grande oportunidade: Ivan fará um seminário on-line de meditação, será um pacote de 10 apresentações ao longo de 5 meses, cada sessão com duração de duas a três horas.
Todos os detalhes estão descritos no texto abaixo, que também pode ser encontrado no endereço:
A primeira sessão é dia 23 de fevereiro, portanto animem-se, o contato para inscrição deve ser feito diretamente através do e-mail: direccion@vedantaadvaita.com
Por favor divulguem aos seus amigos interessados no tema, será uma oportunidade única e muito valiosa para todos na trilha do auto-conhecimento.
abraços
marcos
SEMINARIO ON-LINE DE MEDITACION
Ya no hay duda que la implantacion de las nuevas tecnologias esta siendo muy importante para nuestras acciones cotidianas, y cada dia es posible compartir informacion con muchas personas desde cualquier parte del mundo.
Continuando con nuestro compromiso de divulgar las ensenanzas del Vedanta advaita en todo el mundo, queremos aprovechar los medios que nos ofrece Internet para plantear un SEMINARIO DE MEDITACION On-line dirigido por Sesha.
Acceder por este medio permite llegar a personas de diferentes paises de una forma inimaginable hasta ahora, refrescar conceptos, indagar sobre la practica meditativa y formular las preguntas que vayan apareciendo.
El seminario On-line que se plantea esta pensado para ser realizado en 10 sesiones a lo largo de unos 5 meses, a razon de entre 2 y 3 horas por sesion. Habra una primera sesion con exposicion teorica de los conceptos basicos necesarios para el buen conocimiento de la practica meditativa y unos 15 dias despues una segunda sesion que estara basada en preguntas de los propios asistentes formuladas como consecuencia de su experiencia practica.
Se daran pautas para que entre sesion y sesion sirvan de apoyo a los asistentes.
Asi pues, el seminario dara comienzo el MIERCOLES 23 DE FEBRERO DE 2011 a las 21:00 horas de Espana, y podra ser seguido en directo por todos aquellos interesados en conocer y/o profundizar en la practica meditativa bajo los canones del Vedanta advaita ensenados por Sesha.
Usaremos una plataforma de Internet que nos permita la interconexion On-line y la grabacion de la misma. Las grabaciones estaran a disposicion de los asistentes para el estudio y reflexion posterior.
Para el enriquecimiento mutuo de todos los que participemos en este proyecto que nace, seria aconsejable cierto compromiso para que los frutos que cosechemos al final del mismo, queden debidamente asentados.
La aportacion economica sera de 35 euros por dos sesiones.
Los estudiantes de paises de Sudamerica o que ya hayan estado con Sesha en algun seminario presencial en Espana, tendran un precio de 25 euros por dos sesiones.
Todas las conexiones seran a las 21:00 horas en ESPANA.
Te informamos que las sesiones van a ser grabadas, por lo que si no puedes asistir a alguna, al dia siguiente la tendras a tu disposicion en nuestra web.
Los pagos del seminario van a ser como sigue:
- Los asistentes con residencia en Espana deberan facilitarnos sus datos bancarios para poder hacerles la domiciliacion pertinente.
- Los asistentes del resto de paises deberan tener una cuenta en PAYPAL (es gratuita) con la cual hacer transferencias a nuestra cuenta de Paypal.
El CALENDARIO Y PROGRAMA completos seran los siguientes:
DIA 23 FEBRERO
Magistral
TEMARIO
Introduccion a la meditacion
La naturaleza inquieta de la mente Presenta-pasado y futuro
La naturaleza del Presente Definicion de Meditacion
Tareas para el mes
DIA 9 MARZO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 23 MARZO
Magistral
TEMARIO
Meditacion Interna
Permanencia del Sujeto interior sobre los objetos mentales
La desconexion sensoria
Estado de observacion interna y caracteristicas
Tareas para el mes
DIA 6 ABRIL
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 27 ABRIL
Magistral
TEMARIO
Meditacion externa
Permanencia del objeto externo sobre el sujeto mental
La ausencia del "yo"
Estado de observacion externo y sus caracteristicas
Tareas para el mes
DIA 11 MAYO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 25 MAYO
Magistral
TEMARIO
La naturaleza de la No-dualidad
Cambio del paradigma tempo-espacial Estado de Concentracion interno/externo Estado de Meditacion interno/externo
DIA 8 JUNIO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 22 JUNIO
Magistral
TEMARIO
Resumen
Los cinco estados de Conciencia
Meditacion Interna y Externa
El Presente
Tareas para el mes
DIA 6 JULIO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
Finalizacion del seminario
Información Organizador
INFORMACIÓN Y RESERVAS
Teléfono : 685 738 419
Persona de contacto: Jorge Rojo
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Ramana, e quem sou eu afinal?
Ramana Maharshi propunha aos que o procuravam um método aparantemente muito simples de prática na busca do auto-conhecimento, chamado de método da auto-inquirição. Este método, basicamente, se resumia na prática de atenção interna através de uma pergunta raiz: quem sou eu?
No mundo interno existem várias formas de seguir o perfume do presente, e cabe a cada um encontrar aquela mais apropriada ao seu próprio sistema mental e nervoso. Uma das formas é esta proposta por Ramana, que, no entanto, é muitas vezes mal interpretada por nós.
Existem basicamente duas maneiras de se fazer esta pergunta a si mesmo. Na primeira a pergunta é feita de forma, digamos, leviana, corriqueira, como quem pergunta sobre o tempo. Feita desta maneira isto será simplesmente o início de um processo interminável de pensamentos enadeados. Quem sou eu? eu mesmo, ora... e quem sou este eu mesmo? eu... e assim vai ladeira abaixo, uma diversão para a personalidade, uma distração total do que pode ser o presente neste momento. Nesta altura estamos totalmente imersos em pensamentos sobre o tema, o que, como sabemos, não tem validade por ser um estado não associado ao presente.
A segunda forma, é aquela em que toda a atenção, com um grau de curiosidade absoluta, está servindo como mola propulsora da pergunta ‘quem sou eu?’; ao formulá-la há uma genuína intenção de esperar uma resposta. É o mesmo tipo de foco de atenção que existe quando você aposta na mega sena, e ouve as dezenas sorteadas; imagine que você já acertou cinco, e a sexta vai ser anunciada... onde está sua atenção? divagando dobre o fim de semana, ou sobre a mágoa com a irmã, ou sobre ... claro que não, a atenção está 100% voltada ao instante presente, aguardando a sexta dezena! É este grau de atenção que é necessário para se esperar a resposta de uma pergunta do quilate de ‘quem sou eu’. Surge então, no momento em que a questão se propõe, um estado de surpresa com a própria questão colocada. A mente linear, sem encontrar resposta dialética (por comparação com conteúdos prévios armazenados na memória) se vê por um instante paralisada. Manas (a atividade mental) estaciona subitamente, como um máquina engripada por uma corrente quebrada. Permanecendo aí, com atenção firmemente postada no observador que percebe o vazio de respostas, pode nos ser oferecida a probabildiade de dilatação do vazio e do silêncio. Com a mente quieta, por pouquíssimos instantes, é possível que budhi se faça aparente. Este é o princípio do processo de silêncio, quiçá da meditação.
abraços
marcos
No mundo interno existem várias formas de seguir o perfume do presente, e cabe a cada um encontrar aquela mais apropriada ao seu próprio sistema mental e nervoso. Uma das formas é esta proposta por Ramana, que, no entanto, é muitas vezes mal interpretada por nós.
Existem basicamente duas maneiras de se fazer esta pergunta a si mesmo. Na primeira a pergunta é feita de forma, digamos, leviana, corriqueira, como quem pergunta sobre o tempo. Feita desta maneira isto será simplesmente o início de um processo interminável de pensamentos enadeados. Quem sou eu? eu mesmo, ora... e quem sou este eu mesmo? eu... e assim vai ladeira abaixo, uma diversão para a personalidade, uma distração total do que pode ser o presente neste momento. Nesta altura estamos totalmente imersos em pensamentos sobre o tema, o que, como sabemos, não tem validade por ser um estado não associado ao presente.
A segunda forma, é aquela em que toda a atenção, com um grau de curiosidade absoluta, está servindo como mola propulsora da pergunta ‘quem sou eu?’; ao formulá-la há uma genuína intenção de esperar uma resposta. É o mesmo tipo de foco de atenção que existe quando você aposta na mega sena, e ouve as dezenas sorteadas; imagine que você já acertou cinco, e a sexta vai ser anunciada... onde está sua atenção? divagando dobre o fim de semana, ou sobre a mágoa com a irmã, ou sobre ... claro que não, a atenção está 100% voltada ao instante presente, aguardando a sexta dezena! É este grau de atenção que é necessário para se esperar a resposta de uma pergunta do quilate de ‘quem sou eu’. Surge então, no momento em que a questão se propõe, um estado de surpresa com a própria questão colocada. A mente linear, sem encontrar resposta dialética (por comparação com conteúdos prévios armazenados na memória) se vê por um instante paralisada. Manas (a atividade mental) estaciona subitamente, como um máquina engripada por uma corrente quebrada. Permanecendo aí, com atenção firmemente postada no observador que percebe o vazio de respostas, pode nos ser oferecida a probabildiade de dilatação do vazio e do silêncio. Com a mente quieta, por pouquíssimos instantes, é possível que budhi se faça aparente. Este é o princípio do processo de silêncio, quiçá da meditação.
abraços
marcos
quarta-feira, 21 de julho de 2010
As pulgas, o fantoche e a prática interna
Quando uma inquietação sobre si mesmo e sobre a realidade começa a aparecer no horizonte de uma pessoa muitas dúvidas aparecem, e também muitas oportunidades de aprendizagem. Neste tipo de situação alguns tem a sorte de encontrar pistas, traços de compreensão que ecoam em seu próprio coração. Quando estas pistas tem origem em uma tradição viva de realização (que tenha pessoas realizadas através deste caminho ensinando) há a possibilidade de uma nova trilha de busca se abrir. E esta trilha é ao mesmo tempo maravilhosa, angustiante, paradoxal.
No caso do Vedanta Advaita, plantam-se “pulgas atrás das orelhas”, uma após outra, após outra, após outra. É como um vírus de busca da compreensão que, uma vez instalado, começa a agir subvertendo a ordem aparente que a realidade até então claramente apresentava. E o mais divertido é que o indíviduo que tem as dúvidas é justamente aquele que subsiste apenas através da ilusão do pensar-se. Daí se segue uma miríade de armadilhas montadas pelo fantoche que tenta reafirmar a certeza de sua existência real. Então... o Vedanta Advaita explica o teatro, o palco, as cordas e o fantoche (a ilusão da realidade), a um sistema consciente (uma pessoa) que inclui a própria idéia de identidade do fantoche. E este último inicia um processo quase interminável de contraposições racionais e truques mentais para se reafirmar existente.
Que paradoxo! Como seguir?
A resposta não é mental ou linear. A única forma comprovada de se dar conta de tudo isso é a prática. Em especial a prática interna é capaz de desvendar as mais sutis armadilhas engendradas pelo fantoche.
O Vedanta propõe uma prática interna sem qualquer tipo de bengala. A prática interna consiste, de modo simples, em desconectar os sentidos e trazer a atenção para aquilo que ocorre internamente. Ao observar com distância os pensamentos/emoções, aos poucos estes próprios perdem intensidade, e aumenta a intensidade da presença daquilo que observa. Conforme a atenção se fortalece na própria presença deste observador o silêncio se aprofunda, e novas trilhas de percepção e consciência se abrem.
Não existe caminho de compreensão da realidade que se baseie apenas em conhecimento teórico; a experiência é que tem, de fato, validade. Um “eu” que pensa pode passar vidas no labirinto das dúvidas teóricas. Assim, todas as pulgas atrás da orelha, ao final, são esclarecidas pela prática.
Just do it.
abraços
marcos
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Meditação Externa
A idéia habitual que temos sobre meditação é aquela do sujeito sentado de olhos fechados – quem sabe até com um incenso, roupas indianas, etc. Do ponto de vista Vedanta esta é uma prática interna, uma das duas possibilidades de prática possíveis. A segunda modalidade de prática possível é a prática externa.
Considerando nossos sentidos como fronteiras o campo de cognição externo é aquele que é percebido através dos sentidos: tato, audição, olfato, etc. Em contrapartida o campo interno é aquele percebido diretamente através da mente, sem a intermediação dos sentidos.
Para que a prática interna seja válida é necessário que os sentido sejam desconectados. Com a prática externa ocorre o oposto: os sentidos devem estar totalmente conectados com a realidade externa presente. Por exemplo: se você está comendo o sentido mais demandado será o paladar, se você está ouvindo música será a audição, etc.
O mais divertido é que com esta simples constatação caem por terra todos os argumentos para “não ter tempo de praticar a meditação...”, simplesmente porque a todo momento (de vigília, isto é, quando não estamos dormindo) a prática está à sua disposição uma vez que a todo momento se está vivo.
Então quando se aplica a prática externa? Sempre que não se estiver imerso na prática interna. Quanto tempo sobra para devaneios? Nenhum.
A prática externa está intimamente ligada com o caminho da ação (karma yoga) uma vez que a execução de ações sempre ocorre com uma execução externa. Esta discussão fica para um outro dia.
Um ponto chave da prática externa é que ela requer que estejamos atentos ao que acontece, ao mundo, à realidade apresentada naquele instante.
Como podemos saber se estamos atentos à realidade? Parece uma pergunta óbvia, mas de fato mesmo este discernimento primário é extremamente sutil. Nosso modus operandi mais habitual é o de inventar um presente imaginário através dos pensamentos, e vivê-lo acreditando que estamos vivendo o instante presente.
Façamos um pequeno teste: ligue seu i-pod, i-touch, ou walkman se você for mais velho e ainda tiver um; coloque uma música. De olhos abertos, coloque sua atenção na música, em cada tom. Tente perceber o que aconteceu com a sua percepção visual quando este movimento ocorreu. Agora, com a música ligada, tente focalizar sua visão em um objeto à sua frente. Tente perceber o que ocorreu com a percepção da música enquanto este movimento ocorre. Este é um exercício muito sutil, e pode requerer alguma prática, mas mostra um pouco o foco da atenção. Agora ligue novamente a música, colocando nela seu foco de atenção. Em seguida tente lembrar de uma situação de trabalho que causou ansiedade ou estresse. Perceba o que ocorreu com a percepção auditiva.
Quando a atenção se volta para pensamentos a atenção à realidade externa diminui. Esta é a chave para percebermos se estamos de fato atentos à realidade, a cada momento.
A presença na realidade que se sucede requer um contínuo forjar da mente para que a atenção escape das armadilhas dos devaneios e retorne, uma e outra vez, para a realidade que de fato acontece. Este pode ser um forjar de dias, anos, vidas, mas ao final frutificará em discernimento (viveka) acerca da realidade.
abraços,
marcos
Considerando nossos sentidos como fronteiras o campo de cognição externo é aquele que é percebido através dos sentidos: tato, audição, olfato, etc. Em contrapartida o campo interno é aquele percebido diretamente através da mente, sem a intermediação dos sentidos.
Para que a prática interna seja válida é necessário que os sentido sejam desconectados. Com a prática externa ocorre o oposto: os sentidos devem estar totalmente conectados com a realidade externa presente. Por exemplo: se você está comendo o sentido mais demandado será o paladar, se você está ouvindo música será a audição, etc.
O mais divertido é que com esta simples constatação caem por terra todos os argumentos para “não ter tempo de praticar a meditação...”, simplesmente porque a todo momento (de vigília, isto é, quando não estamos dormindo) a prática está à sua disposição uma vez que a todo momento se está vivo.
Então quando se aplica a prática externa? Sempre que não se estiver imerso na prática interna. Quanto tempo sobra para devaneios? Nenhum.
A prática externa está intimamente ligada com o caminho da ação (karma yoga) uma vez que a execução de ações sempre ocorre com uma execução externa. Esta discussão fica para um outro dia.
Um ponto chave da prática externa é que ela requer que estejamos atentos ao que acontece, ao mundo, à realidade apresentada naquele instante.
Como podemos saber se estamos atentos à realidade? Parece uma pergunta óbvia, mas de fato mesmo este discernimento primário é extremamente sutil. Nosso modus operandi mais habitual é o de inventar um presente imaginário através dos pensamentos, e vivê-lo acreditando que estamos vivendo o instante presente.
Façamos um pequeno teste: ligue seu i-pod, i-touch, ou walkman se você for mais velho e ainda tiver um; coloque uma música. De olhos abertos, coloque sua atenção na música, em cada tom. Tente perceber o que aconteceu com a sua percepção visual quando este movimento ocorreu. Agora, com a música ligada, tente focalizar sua visão em um objeto à sua frente. Tente perceber o que ocorreu com a percepção da música enquanto este movimento ocorre. Este é um exercício muito sutil, e pode requerer alguma prática, mas mostra um pouco o foco da atenção. Agora ligue novamente a música, colocando nela seu foco de atenção. Em seguida tente lembrar de uma situação de trabalho que causou ansiedade ou estresse. Perceba o que ocorreu com a percepção auditiva.
Quando a atenção se volta para pensamentos a atenção à realidade externa diminui. Esta é a chave para percebermos se estamos de fato atentos à realidade, a cada momento.
A presença na realidade que se sucede requer um contínuo forjar da mente para que a atenção escape das armadilhas dos devaneios e retorne, uma e outra vez, para a realidade que de fato acontece. Este pode ser um forjar de dias, anos, vidas, mas ao final frutificará em discernimento (viveka) acerca da realidade.
abraços,
marcos
quarta-feira, 31 de março de 2010
Grupo de Meditação Semanal
Olá amigos,
Ao longo destes últimos anos tenho convivido e conversado com um grande número de pessoas que naturalmente expressam interesse em auto-conhecimento e meditação. Em geral há uma inquietação e vontade de explorar estes caminhos, mas também aparece a necessidade de algum tipo de acompanhamento, apoio e compartilhamento.
Como vários de vocês já sabem tenho seguido um caminho de estudos com Ivan Oliveros (Sesha) há 10 anos. Sesha é um mestre vivo da tradição Vedanta Advaita, filosofia milenar de origem hindu, um caminho que busca a compreensão da realidade através do discernimento acerca do Real, e é fundamentada no conceito da não-dualidade. É uma trilha de auto-conhecimento e sabedoria, simples e direta, sem dogmas, rituais ou artifícios. (Para mais informações vejam http://www.vedantaadvaita.com/).
Assim, a partir da próxima semana (7 de abril) coordenarei um novo grupo de meditação no Instituto Brahmavidya. Este grupo de meditação terá freqüência semanal, toda 4af, 19h15 até 20h15. Dedicaremos o tempo para reflexão sobre temas específicos, prática de meditação externa e interna e compartilhamento. O grupo é aberto, não é necessária qualquer experiência anterior.
Caso conheçam pessoas interessadas por favor divulguem esta mensagem.
Segue o endereço:
Instituto Brahmavidya
Rua Indiana, n. 1403 , Brooklin (paralela à rua Pe. Antonio J. Santos)
Abraços,
Ao longo destes últimos anos tenho convivido e conversado com um grande número de pessoas que naturalmente expressam interesse em auto-conhecimento e meditação. Em geral há uma inquietação e vontade de explorar estes caminhos, mas também aparece a necessidade de algum tipo de acompanhamento, apoio e compartilhamento.
Como vários de vocês já sabem tenho seguido um caminho de estudos com Ivan Oliveros (Sesha) há 10 anos. Sesha é um mestre vivo da tradição Vedanta Advaita, filosofia milenar de origem hindu, um caminho que busca a compreensão da realidade através do discernimento acerca do Real, e é fundamentada no conceito da não-dualidade. É uma trilha de auto-conhecimento e sabedoria, simples e direta, sem dogmas, rituais ou artifícios. (Para mais informações vejam http://www.vedantaadvaita.com/).
Assim, a partir da próxima semana (7 de abril) coordenarei um novo grupo de meditação no Instituto Brahmavidya. Este grupo de meditação terá freqüência semanal, toda 4af, 19h15 até 20h15. Dedicaremos o tempo para reflexão sobre temas específicos, prática de meditação externa e interna e compartilhamento. O grupo é aberto, não é necessária qualquer experiência anterior.
Caso conheçam pessoas interessadas por favor divulguem esta mensagem.
Segue o endereço:
Instituto Brahmavidya
Rua Indiana, n. 1403 , Brooklin (paralela à rua Pe. Antonio J. Santos)
Abraços,
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