A realidade não é o que você pensa.
A realidade é o que está continuamente acontecendo agora.
A realidade não é seu pensamento.
O paradoxo é que se você estiver pensando esta será , sim, concretamente, sua realidade.
A realidade não é o sonho bom sobre um futuro desejado.
A realidade não é a tristeza (ou alegria) de um passado ido.
A realidade não existe na sua mente viajante, a não ser que você permaneça embarcando em suas viagens continuamente, navegando em sua própria realidade auto-construída, mutante e variável conforme a meteorologia dos humores, dos contragostos, e dos gostos.
A realidade existe anterior e subjacente a qualquer juízo ou interpretação.
A realidade está logo ali... experimente... entre um pensamento e outro, naquele instante silencioso... em um fluxo atemporal.
A realidade não é o que você pensa, a não ser que você esteja pensando!
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Como praticar meditação
A meditação - para se afinar o vocabulário Vedanta - é um estado de consciência. O exercício da atenção é uma prática. Descobrir o que é a atenção, como ela opera, onde ela se pousa, e, mais importante de tudo, sua fonte. Meditar, ao final, é pousar a atenção sobre ela mesma, conforme ensina Sesha. É esta a prática que requer disciplina e repetição, a sadhana fundamental.
Mas como conseguir a disciplina para efetivamente praticar? A maneira mais direta é perceber como estamos imersos e confusos em nossos interminável labirinto de pensamentos em nossa novela pessoal.E como escapar do redemoinho de pensamentos grudentos que nos puxa a cada instante?
Para iniciar é preciso um dar-se conta de que este mundo do redemoinho existe. É preciso dar-se conta de que você é refém deste labirinto que chega sempre ao mesmo ponto. É preciso estar exausto de percorrer sempre o mesmo caminho de pensamento-emoções disparado por qualquer gatilho da realidade, aquele caminho que traz sempre o mesmo ganho emocional para uma identidade que tem como fundamento a carência (uma vez que se acredita separada do todo, daí estar sempre em estado de carência).
Para se perceber essa dinâmica-raiz é crítico desenvolvermos a capacidade de auto-observação. Observarmos a nós mesmos, observar nossos pensamentos mais usuais enquanto as situações se desenrolam. Ouvir com atenção nossos diálogos internos, o modo como falamos com nós mesmos. Anotar estes diálogos. Perceber como - em essência - se repetem dia após dia.
Ao tomarmos consciência desta gangorra moto-quase-perpétuo produz-se um efeito natural: a própria potência desta gangorra começa a diminuir. Começamos a perceber o funcionamento desta dinâmica enquanto ela ocorre. Aos poucos, e com o tempo, começa a surgir a possibilidade de não mais sermos reféns desta dinâmica. Percebemos quando ela começa a operar, e podemos retornar para a realidade que se passa. Lembrem-se de que toda esta gangorra não passa de um conjunto de pensamentos; um pacote de tendências muito fortes, mas nada mais que um conjunto de pensamentos. Enquanto esta dinâmica opera não estamos presentes, não vivemos a realidade que se passa pois estamos mergulhados em nosso conjunto de pensamentos favoritos. A grande maioria de nós vive e morre dentro desta novela auto-elaborada, sem dar-se conta desta ilusão.
Assim, ao percebermos como somos servos deste círculo exaustivo, surge a inquietação pela busca de um estado natural de viver que não seja domesticado e aprisionado. Este é o combustível da prática da atenção - a prática de estar aqui e agora. Quando pesquisamos curiosamente os rumos e os princípios da atenção em nossas experiências de viver começamos a compreender a profundidade da ignorância em que normalmente vivemos.
Nós temos a sorte, a chance e a responsabilidade de buscar uma forma consciente de viver.
Abraços,
Marcos
Mas como conseguir a disciplina para efetivamente praticar? A maneira mais direta é perceber como estamos imersos e confusos em nossos interminável labirinto de pensamentos em nossa novela pessoal.E como escapar do redemoinho de pensamentos grudentos que nos puxa a cada instante?
Para iniciar é preciso um dar-se conta de que este mundo do redemoinho existe. É preciso dar-se conta de que você é refém deste labirinto que chega sempre ao mesmo ponto. É preciso estar exausto de percorrer sempre o mesmo caminho de pensamento-emoções disparado por qualquer gatilho da realidade, aquele caminho que traz sempre o mesmo ganho emocional para uma identidade que tem como fundamento a carência (uma vez que se acredita separada do todo, daí estar sempre em estado de carência).
Para se perceber essa dinâmica-raiz é crítico desenvolvermos a capacidade de auto-observação. Observarmos a nós mesmos, observar nossos pensamentos mais usuais enquanto as situações se desenrolam. Ouvir com atenção nossos diálogos internos, o modo como falamos com nós mesmos. Anotar estes diálogos. Perceber como - em essência - se repetem dia após dia.
Ao tomarmos consciência desta gangorra moto-quase-perpétuo produz-se um efeito natural: a própria potência desta gangorra começa a diminuir. Começamos a perceber o funcionamento desta dinâmica enquanto ela ocorre. Aos poucos, e com o tempo, começa a surgir a possibilidade de não mais sermos reféns desta dinâmica. Percebemos quando ela começa a operar, e podemos retornar para a realidade que se passa. Lembrem-se de que toda esta gangorra não passa de um conjunto de pensamentos; um pacote de tendências muito fortes, mas nada mais que um conjunto de pensamentos. Enquanto esta dinâmica opera não estamos presentes, não vivemos a realidade que se passa pois estamos mergulhados em nosso conjunto de pensamentos favoritos. A grande maioria de nós vive e morre dentro desta novela auto-elaborada, sem dar-se conta desta ilusão.
Assim, ao percebermos como somos servos deste círculo exaustivo, surge a inquietação pela busca de um estado natural de viver que não seja domesticado e aprisionado. Este é o combustível da prática da atenção - a prática de estar aqui e agora. Quando pesquisamos curiosamente os rumos e os princípios da atenção em nossas experiências de viver começamos a compreender a profundidade da ignorância em que normalmente vivemos.
Nós temos a sorte, a chance e a responsabilidade de buscar uma forma consciente de viver.
Abraços,
Marcos
segunda-feira, 4 de abril de 2011
É só mais um pensamento...
No último encontro do grupo de meditação das 2af’s falávamos sobre a prática de atenção e experimentávamos exercícios divertidos para que nos déssemos conta da frequência dos pensamentos. Experimente este:
Encontre um espaço mais ou menos amplo (5 a 10 metros de espaço livre), e se coloque em um dos cantos. Agora comece a caminhar. Quando perceber que um pensamento cruzou sua cabeça, volte ao ponto inicial. Mas há que se ter uma atenção fina, qualquer pensamento, mesmo sutil, deve levá-lo de volta à posição original. Se alguém conseguir chegar ao outro lado e ainda assim não pensar “consegui!!” por favor me escreva...
Esta pequena brincadeira mostra a frequência exaustiva da agitação mental. Mostra também que, de fato, não controlamos o (não) surgimento, a natureza, a origem, ou a direção dos pensamentos. Somos simplesmente servos de nossa própria habitualidade.
Ao pensarmos estabelecemos um quadro de referência sobre o que somos, nos entendemos como algo, definido e concreto. Esta primeira idéia, esta separação, é o início do ciclo do ser que se acredita independente, ator, merecedor. Se acredita evoluindo, se aperfeiçoando. Este ser pensado não vai a lugar algum, apenas gera mais e mais tendências.
O agente real que é consciente da realidade quando se está presente não é este eu-que-pensa, este eu-pensado. O eu-pensado, de verdade, morre a cada instante de silêncio e presença. Porém renasce a cada agitação mental, a cada pensamento. Com este inseparável zumbi vivo-morto compartilhamos a existência.
Assim, uma dos maiores antídotos à não-presença é uma simples frase: “É só mais um pensamento...”. Quando você estiver mergulhado na mais profunda certeza de que merece sofrer, ou quando estiver no mais alto degrau do pódio do orgulho, e estiver pensando e falando algo para si mesmo, lembre-se disso: é só mais um pensamento. Quando você estiver furioso com o chefe no trabalho, e voltando para casa estiver pensando em como ele não presta, ou quando alguma mágoa de muitos anos atrás teima em voltar à tona, lembre-se: é só mais um pensamento. E quando, no meio de uma prática de silêncio interior, após algumas dezenas de minutos, você se percebe sutilmente desejando algo, ou quando, após algumas dezenas de anos de prática, você se percebe sutilmente esperando algo, lembre-se: ”É só mais um pensamento...”.
A realidade está aqui, agora, já. Qualquer narrativa do eu-pensado apenas nos afasta dela. Sem mais ou menos.
Abraços,
Marcos
Encontre um espaço mais ou menos amplo (5 a 10 metros de espaço livre), e se coloque em um dos cantos. Agora comece a caminhar. Quando perceber que um pensamento cruzou sua cabeça, volte ao ponto inicial. Mas há que se ter uma atenção fina, qualquer pensamento, mesmo sutil, deve levá-lo de volta à posição original. Se alguém conseguir chegar ao outro lado e ainda assim não pensar “consegui!!” por favor me escreva...
Esta pequena brincadeira mostra a frequência exaustiva da agitação mental. Mostra também que, de fato, não controlamos o (não) surgimento, a natureza, a origem, ou a direção dos pensamentos. Somos simplesmente servos de nossa própria habitualidade.
Ao pensarmos estabelecemos um quadro de referência sobre o que somos, nos entendemos como algo, definido e concreto. Esta primeira idéia, esta separação, é o início do ciclo do ser que se acredita independente, ator, merecedor. Se acredita evoluindo, se aperfeiçoando. Este ser pensado não vai a lugar algum, apenas gera mais e mais tendências.
O agente real que é consciente da realidade quando se está presente não é este eu-que-pensa, este eu-pensado. O eu-pensado, de verdade, morre a cada instante de silêncio e presença. Porém renasce a cada agitação mental, a cada pensamento. Com este inseparável zumbi vivo-morto compartilhamos a existência.
Assim, uma dos maiores antídotos à não-presença é uma simples frase: “É só mais um pensamento...”. Quando você estiver mergulhado na mais profunda certeza de que merece sofrer, ou quando estiver no mais alto degrau do pódio do orgulho, e estiver pensando e falando algo para si mesmo, lembre-se disso: é só mais um pensamento. Quando você estiver furioso com o chefe no trabalho, e voltando para casa estiver pensando em como ele não presta, ou quando alguma mágoa de muitos anos atrás teima em voltar à tona, lembre-se: é só mais um pensamento. E quando, no meio de uma prática de silêncio interior, após algumas dezenas de minutos, você se percebe sutilmente desejando algo, ou quando, após algumas dezenas de anos de prática, você se percebe sutilmente esperando algo, lembre-se: ”É só mais um pensamento...”.
A realidade está aqui, agora, já. Qualquer narrativa do eu-pensado apenas nos afasta dela. Sem mais ou menos.
Abraços,
Marcos
sexta-feira, 5 de março de 2010
Onde está o descanso?
Tenho tido muitas conversas com tantas pessoas diferentes, muitos universos fechados em si mesmos, certos, absolutamente, de suas certezas construídas pela retórica eterna dos diálogos internos. Construções fundamentadas na retórica interna dos diálogos sem fim. Algumas perguntas - um pouco de areia na engrenagem desta máquina de conversas loucas - e um espaço quase miraculoso de compreensão se abre. Há um vislumbre de paz dinâmica neste espaço, um reflexo de luz na penumbra úmida do pensar sem fim, como uma lufada de ar que finalmente penetra aquele cômodo fechado e começa a trazer a paz do movimento para dissipar a angústia da agitação estacionada.
Nestes momentos de compreensão há uma percepção muitas vezes inédita do que é a inteligência intuitiva. E imediatamente se percebe a mente linear (manas) reacelerando as engrenagens através de um apropriar-se lógico-racional daquilo que foi gerado sem pensamento. A personalidade (“eu”) possui uma máquina de etiquetas, como aquelas de preços em supermercados, e é totalmente obcecada em etiquetar cada instante, continuamente roubando o presente – aquilo que se sucede – de nós mesmos. A presença é roubada com o desejo de resultados pelas ações praticadas, e com a sensação de posse sobre o que acontece.
Sem o presente nos habituamos a glorificar a memória, e perdemos a glória do instante. Cada etiqueta leva o nosso nome, como se pudéssemos possuir nossa própria história, como se contabilizássemos cada momento em um grande balanço contábil, naturalmente esperando algum tipo de “lucro” ao final do ciclo... vida. Da busca do benefício e da sensação de posse se alimenta o Karma, e roda do samsara (ciclo de nascimentos e mortes) segue girando.
O pequeno instante de compreensão muitas vezes engravida as pessoas de uma sensação de beco sem saída...onde está o descanso então? Se estamos vivos, em ação, o descanso está fora, na realidade, no mundo, nos objetos de percepção. E não em nossos pensamentos. Se estamos vivos, em prática de silêncio interno, o descanso está nAquilo que percebe, e não em nossos pensamentos.
O descanso nunca está em nossos pensamentos... exceto quando a realidade apresenta esta demanda. Por exemplo, quando o instante presente requer que se raciocine sobre o plano de negócios para a confecção de uma apresentação. Neste momento é válido pensar sobre o plano de negócios – e apenas sobre isto. De resto, o descanso não está na mente. Como vivemos 2/3 de nossas vidas em vigília, especialmente para os que não costumam exercitar práticas de silêncio, o descanso está sempre fora. O descanso, o oxigênio para prosseguir, está no mundo, na realidade, nos objetos, e não em nossos pensamentos, memórias, etiquetas e viagens na maionese (day-dreaming). Focalizar, momento após momento, a atenção no mundo, nos objetos, e não em nossos pensamentos, é o bálsamo para um sistema nervoso exaurido por décadas de desgaste oriundos de um pensar sem fim - tanto no sentido de propósito quanto de tempo. Este bálsamo está ao nosso alcance, ao alcance um instante.
PS: novo vídeo do Ivan aqui no blog logo acima: "Aprender a não duvidar". Vale a pena ver!
Nestes momentos de compreensão há uma percepção muitas vezes inédita do que é a inteligência intuitiva. E imediatamente se percebe a mente linear (manas) reacelerando as engrenagens através de um apropriar-se lógico-racional daquilo que foi gerado sem pensamento. A personalidade (“eu”) possui uma máquina de etiquetas, como aquelas de preços em supermercados, e é totalmente obcecada em etiquetar cada instante, continuamente roubando o presente – aquilo que se sucede – de nós mesmos. A presença é roubada com o desejo de resultados pelas ações praticadas, e com a sensação de posse sobre o que acontece.
Sem o presente nos habituamos a glorificar a memória, e perdemos a glória do instante. Cada etiqueta leva o nosso nome, como se pudéssemos possuir nossa própria história, como se contabilizássemos cada momento em um grande balanço contábil, naturalmente esperando algum tipo de “lucro” ao final do ciclo... vida. Da busca do benefício e da sensação de posse se alimenta o Karma, e roda do samsara (ciclo de nascimentos e mortes) segue girando.
O pequeno instante de compreensão muitas vezes engravida as pessoas de uma sensação de beco sem saída...onde está o descanso então? Se estamos vivos, em ação, o descanso está fora, na realidade, no mundo, nos objetos de percepção. E não em nossos pensamentos. Se estamos vivos, em prática de silêncio interno, o descanso está nAquilo que percebe, e não em nossos pensamentos.
O descanso nunca está em nossos pensamentos... exceto quando a realidade apresenta esta demanda. Por exemplo, quando o instante presente requer que se raciocine sobre o plano de negócios para a confecção de uma apresentação. Neste momento é válido pensar sobre o plano de negócios – e apenas sobre isto. De resto, o descanso não está na mente. Como vivemos 2/3 de nossas vidas em vigília, especialmente para os que não costumam exercitar práticas de silêncio, o descanso está sempre fora. O descanso, o oxigênio para prosseguir, está no mundo, na realidade, nos objetos, e não em nossos pensamentos, memórias, etiquetas e viagens na maionese (day-dreaming). Focalizar, momento após momento, a atenção no mundo, nos objetos, e não em nossos pensamentos, é o bálsamo para um sistema nervoso exaurido por décadas de desgaste oriundos de um pensar sem fim - tanto no sentido de propósito quanto de tempo. Este bálsamo está ao nosso alcance, ao alcance um instante.
PS: novo vídeo do Ivan aqui no blog logo acima: "Aprender a não duvidar". Vale a pena ver!
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