segunda-feira, 4 de abril de 2011

É só mais um pensamento...

No último encontro do grupo de meditação das 2af’s  falávamos sobre a prática de atenção e experimentávamos exercícios divertidos para que nos déssemos conta da frequência dos pensamentos. Experimente este:
Encontre um espaço mais ou menos amplo (5 a 10 metros de espaço livre), e se coloque em um dos cantos. Agora comece a caminhar. Quando perceber que um pensamento cruzou sua cabeça, volte ao ponto inicial. Mas há que se ter uma atenção fina, qualquer pensamento, mesmo sutil, deve levá-lo de volta à posição original. Se alguém conseguir chegar ao outro lado e ainda assim não pensar “consegui!!” por favor me escreva...
Esta pequena brincadeira mostra a frequência exaustiva da agitação mental. Mostra também que, de fato, não controlamos o (não) surgimento, a natureza, a origem, ou a direção dos pensamentos. Somos simplesmente servos de nossa própria habitualidade.
Ao pensarmos estabelecemos um quadro de referência sobre o que somos, nos entendemos como algo, definido e concreto. Esta primeira idéia, esta separação, é o início do ciclo do ser que se acredita independente, ator, merecedor. Se acredita evoluindo, se aperfeiçoando. Este ser pensado não vai a lugar algum, apenas gera mais e mais tendências.
O agente real que é consciente da realidade quando se está presente não é este eu-que-pensa, este eu-pensado. O eu-pensado, de verdade, morre a cada instante de silêncio e presença. Porém renasce a cada agitação mental, a cada pensamento. Com este inseparável zumbi vivo-morto compartilhamos a existência.
Assim, uma dos maiores antídotos à não-presença é uma simples frase: “É só mais um pensamento...”. Quando você estiver mergulhado na mais profunda certeza de que merece sofrer, ou quando estiver no mais alto degrau do pódio do orgulho, e estiver pensando e falando algo para si mesmo, lembre-se disso: é só mais um pensamento. Quando você estiver furioso com o chefe no trabalho, e voltando para casa estiver pensando em como ele não presta, ou quando alguma mágoa de muitos anos atrás teima em voltar à tona, lembre-se: é só mais um pensamento. E quando, no meio de uma prática de silêncio interior, após algumas dezenas de minutos, você se percebe sutilmente desejando algo, ou quando, após algumas dezenas de anos de prática, você se percebe sutilmente esperando algo, lembre-se: ”É só  mais um pensamento...”.
A realidade está aqui, agora, já. Qualquer narrativa do eu-pensado apenas nos afasta dela. Sem mais ou menos.


Abraços,
Marcos

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tudo bem

Todos nós reclamamos por paz, por sossego. Todos pedimos um momento de tranquilidade, em que tudo esteja bem. E o mais divertido é que todos nós já vivemos momentos assim. E o que fazemos quando este momento chega? Em vez de vivê-lo plenamente começamos a construir o que virá depois, começamos a inventar e criar o futuro, os próximos dias, horas, o que acontecerá para... para que? Para alcançar o próximo momento de paz e sossego que não aproveitaremos, como este?
Não é incrível? E esta não é uma disposição teórica, é a experiência pura disponível para cada um de nós. Experimente perceber o que se passa em sua mente quando tudo está “bem”. Imediatamente, como uma coceira, há um princípio de atividade mental que busca algo mais, algo no futuro. E como uma coceira, quanto mais se coça, mais coça,
Experimente notar que neste momento há a semente de um pensamento longo e muito conhecido seu, um pensamento que iniciará uma cadeia de pensamentos, que resultará, finalmente, em uma situação futura imaginária que traz como fruto algum tipo de emoção específica que sua personalidade desesperadamente necessita. Pode ser, carinho, reconhecimento, vitimização, poder, etc., cada um tem a sua raiz específica e especial. Se você percebe a semente desta cadeia, compreenderá imediatamente o resultado final, e verá quão sem graça, quão repetitivo este hábito de pensar-se realmente é. Pois, ao final, a estrutura da identidade egóica é apenas aquilo que mais pensamos sobre nós mesmos, nossas tendências tornadas concretas por fantasias sem fim. 
O dar-se conta da moeda de troca emocional que jaz por trás de cada cadeia de pensamentos faz com que esta fique em suspensão, como que aguardando sua própria decisão consciente de seguir em frente - escorregando no toboágua dos devaneios - ou de permanecer aqui e agora. Este momento é precioso, é de fato a opção última de ser livre ou permanecer servo, é a expressão concreta e prática do livre arbítrio verdadeiro. A liberdade está radicada em não seguir a cadeia de frutos emocionais da personalidade, mas em perseguir a plenitude do instante.
Permanecer presente priva a personalidade deste fruto emocional específico, no qual somos absolutamente viciados, e daí surge a sensação de abstinência, o que normalmente nos leva de volta ao toboágua. É preciso vencer esta crise de abstinência para continuar presente.
Assim segue nossa comédia privada, tanto trágica quanto cômica. Talvez mais cômica enquanto não nos conscientizamos do tamanho do buraco que cavamos, talvez mais trágica quando nos encontramos lá no fundo, sem suspeitar que existe uma saída.
A saída? O precioso momento do livre arbítrio.




Abraços,
Marcos

segunda-feira, 21 de março de 2011

O que me impede?

Existem perguntas que podem transportar, surpreender e uma delas é: onde você está agora? Esta é uma boa pergunta, como toda pergunta óbvia mas que não é. Para alguns esta pergunta é muito simples, não merece ser compreendida. Então vamos com outra: porque você não pode estar aqui agora? O que existe, dentro de você, que impede sua total presença, sua interação plena com o que se passa?
A realidade da ação, de nossa existência prática no mundo, no dia a dia, nos chama a todo e cada segundo. Entretanto todos sabemos que existem momentos de realidade em que não estamos de fato presentes, estamos em algum lugar do passado (ou a partir daí projetando o futuro). O mundo passa e nós ficamos, atados a um roteiro de dramas pessoais que a cada fase da vida fica mais e mais enrolado. Se prestarmos atenção verificaremos que estes momentos são a imensamente maior parte de nossa vida. Esta outra pergunta pode fazer sentido quando se está preso nas engrenangens das razões e das infindáveis justificativas novelescas de nossa memória personalística. É sempre um fio trançado de pensamentos emoções e desejos que nos prende às cavernas da memória enquanto a realidade passa.
Este roteiro tende a se tornar mais intenso e a requerer cada vez mais a nossa atenção no dia a dia, de modo que cada vez menos interagimos com o mundo real. De fato interagimos com nossas próprias memórias do mundo na maior parte das vezes.
Prestem atenção: o chamariz ardiloso da identidade egóica sempre aparece para nos tragar da realidade e nos mergulhar de volta às nossas confortáveis caverninhas de pensamentos. Cada vez mais aparecem menos instantes de realidade que mereçam nossa presença: ao final estamos sempre julgando que a realidade não merece nossa própria presença.
A questão é que não existe realidade melhor ou pior, realidade apropriada ou não para estarmos presentes. A realidade sempre existe, e cada realidade que nos é apresentada merece e requer nossa presença. Se a cada instante de realidade nos entregamos ao que se sucede exercitaremos o músculo do discernimento, e com o tempo, percorreremos nosso Dharma, nosso caminho verdadeiro.
Assim, quando se der conta de que para você a situação atual que está acontecendo não merece sua presença total, sua entrega ao que acontece, pergunte a você mesmo:  o que existe, dentro mim, que impede minha total presença neste momento? Você ficará surpreso com as respostas.




Abraços,
Marcos

segunda-feira, 14 de março de 2011

Terremoto e tsunami

E assim, com apenas um leve trejeito, o planeta deixa o recado pregado na consciência de todos que tem olhos para ver: impermanência.
Por mais que queiramos concretar nossos bons dias, planos e momentos em uma rígida ponte estruturada até o futuro longínquo, cada soluço é uma lembrança sutil de que a realidade simplemente não funciona desta maneira.
Pequenos contratempos do dia a dia passam esta mensagem: não conseguir chegar àquele encontro importante por conta do trânsito, não alcançar aquela promoção como planejado... O corpo e a natureza gritam isto o tempo todo: o decaimento do corpo, perder os cabelos!... Outros sofrimentos maiores tendem a trazer alertas mais fortes: a morte de um ente querido, uma doença séria.
Porém um desastre das proporções do terremoto e do tsunami no Japão nos coloca de joelhos em uma casquinha bem fininha em um aglomerado de matéria de núcleo imensamente quente, que se move a uma velocidade estúpida, parte da rabeira de uma galáxia também em movimento que navega no vazio do universo que não sonhamos conhecer.
A imensidão do todo e a impotência do um ficam estampadas, reduzem a pó a crença de controle e permanência dos minúsculos “eus”. Nos momentos seguintes ao terremoto surgiram comentários sobre os possíveis impactos na bolsa de tóquio. Inacreditável como precisamos imediatamente retomar todos os parâmetros de referência de uma coletividade de “eus” ignorantes, parâmetros sem os quais não conseguimos ler nosso próprio RG.
Assim, como crianças mimadas que não se conformam com o fim das férias, não aceitamos aceitar a realidade. Preferimos negá-la em troca de um controle firme e ditatorial que exercemos sobre nossa própria ignorância. Porque de fato somos donos de uma coisa apenas nesta existência: do vasto latifúndio de nossa ignorância. A crença desesperada no controle de nossos atos, de nossas famosas decisões, de que somos nós que escolhemos o caminho que seguimos, é simplesmente um truque deste indivíduo “eu” que precisa atestar sua própria e falsa idéia de existência contínua.
Tentar nos segurar nos pilares do “eu” nos dá a falsa sensação de permanência; a mesma sensação de firmeza que os moradores do vilarejo portuário de Minamisanriku tinham acerca de suas casas, até observarem o tsunami levá-las como barcos de papel. E, como sabemos, ou muitas vezes veladamente intuimos, o tsunami da Consciência sempre chega.


Abraços,
Marcos

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sentido da vida

Mas então qual o sentido disso tudo afinal? Esta não é uma pergunta pouco comum em todas os grupos, cursos, escolas de auto-conhecimento. Em algum momento aparece a dúvida, a angústia de compreender - não importa a linha de pesquisa ou a tradição.
E, invariavelmente, a resposta simplesmente... não existe. Podemos encontrar livros fantásticos, buscar raciocínios elaborados ou afirmações elegantes, que muitas vezes nos  emocionam, mas a resposta, como algo que explique a causa e o propósito de estarmos aqui, está misteriosamente impedida de ocorrer.
É como se estivéssemos na linha verde do metrô de São Paulo tentando chegar desesperadamente a Victoria station em Londres. Por mais que estudemos os mapas, compremos toneladas de bilhetes, e viajemos por dias e dias embaixo da terra, não chegaremos.
Esta resposta simplesmente não é possível neste estado de consciência em que vivemos - ou seja, pensando. Como em uma equação, as condições de contorno da solução são tais que neste estado de consciência vigílico-pensante a solução é inexistente. Entretanto existe - sim - uma solução, que está disponível em outro campo, em estados de consciência em que não há o predomínio da identidade egóica - “eu”. 
Conforme explica o Vedanta Advaita (a partir das descrições iniciais de Patanjali), podemos definir estados de existência em que a relação entre sujeito e realidade varia. Embora no ocidente em geral aceitemos apenas o sono e a vigília como estados, no campo de possibilidades do estado vigílico existem estados mais profundos de presença em que a personalidade, a identidade egóica pensante, não está presente. Nestes estados não ocorrem pensamentos, e a constância e o fluir da presença possibilitam uma compreensão cada vez mais plena da realidade. Falamos de compreensão, não de pensar sobre, a compreensão ocorre no vazio de pensamentos. Estes estados estão à nossa disposição, a realidade “real” é aquela que é compreendida no chamado estado último (samadhi). Esta é a realidade que nunca foi concebida mas sempre existiu. O alcançar deste estado comstuma-se chamar de realização do ser.  
Assim, como estamos ainda engatinhando nesta trilha, o mais divertido é considerar o seguinte: quando fazemos a pergunta “Qual o sentido disto tudo?”, quem está fazendo a pergunta? Esta proposição é muito mais rica  - quando feita de modo intenso, curioso e concentrado - que digressões intelectuais acerca de uma realidade que mal podemos intuir.




Abraços,
Marcos

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Arte e o caminho da ação



Na semana que vem, dia 2, estarei na ABRA Vila Mariana para uma palestra em que conversaremos sobre o tema “Obra sem artista: a arte como meditação”.
Todos nós já experimentamos momentos de mergulho no instante presente em que a sensação de plenitude, ou de paz, ou de amor, ou de vitalidade, parecia ser maior que nós mesmos. Estes são instantes de presença intensa, instantes em que a surpresa de uma paisagem parece te sugar completamente até que não haja um eu que se sinta sugado, apenas a paisagem; instante em que a intensidade de um debate parece te levar a ouvir o que você mesmo fala; instante em que a pista escorregadia percorrida pela motocicleta na chuva parece ser a mesma coisa que a própria moto e o piloto.
O que estes instantes tem em comum? 
São momentos em que se estava presente, realmente, ao que acontecia. Nestes momentos a atenção deixa de se alojar na massa de memória mental como combustível para sua agitação - isto é, gerando mais e mais pensamentos - e se desloca para a realidade que se sucede naquele instante.
Este movimento da atenção, saindo de dentro para fora, é condição necessária para estarmos presentes em ação no nosso dia a dia. A atenção focalizada na realidade que acontece subtrai a energia de sustentação do pensamento de um “eu” que se crê controlador e beneficiário de cada ação que fazemos. Deste modo se encontra a liberdade do atuar espontâneo, uma cadeia de reações ao instante sem que haja um sujeito que busque um resultado ou um fruto com aquela ação.  
Este é o caminho chamado karma yoga, o caminho da ação. Para nós - humildes seres iludidos pela cortina da certeza do “eu” - o discernimento, isto é, a compreensão do que é real, ainda está bastante distante, e a trilha para se exercitar o músculo do discernimento é o caminho da ação, pois ela se apresenta ininterruptamente ao longo de todos os minutos de nossa vida.  
O fazer artístico é um dos modos mais claros de pesquisa sobre a percepção da ação presente, quando a atenção não se prende ao sujeito que se imagina agindo, mas se totaliza com a realidade percebida. Sem intencionalidade, sem desejo, resposta em tempo-zero à realidade. 


Para os interessados seguem os detalhes da palestra (inscrições na própria ABRA)


Data: 2 de março
Horário: 20h00
Local: ABRA Vila Mariana
Rua Domingos de Morais 2267 (próximo ao metrô Santa Cruz)
T. (11) 3564-2696  3564-2695
www.abra.com.br/vilamariana




Abraços,
Marcos

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Trabalho e Espiritualidade

Ontem em alguma das redes sociais passei por uma discussão mais ou menos assim: “não seria ótimo se as empresas tivessem salas especiais de meditação onde as pessoas pudessem entrar em contato com sua espiritualidade durante o dia...”, e todos concordando que sim. 
Muito simpático, mas errado.
O raciocínio parte de uma premissa fundamentalmente falsa: a espiritualidade como um campo diferente do restante da realidade diária. Se existe algo que podemos chamar de espiritualidade este algo “é” - simplesmente - antes de qualquer construção mental acerca de seu ilusório desenvolvimento ou evolução.
Não devemos perseguir, no meio de um dia intenso, alguns momentos de tranquilidade em um silencioso quarto com incenso e almofadas. Isto nos levará à criação de um hábito de separação: a “espiritualidade” só pode acontecer em alguns momentos do dia, sob condições especiais, e no restante do dia a dia voltamos para a “selva” personalística.
É um hábito perverso, pois guarda uma armadilha um pouco mais sutil: se durante 99% do seu dia você está submerso em pensamentos labirínticos da identidade egóica, a inércia certamente fará com que naqueles 15 minutos de espiitualidade silenciosa em um quarto especial simplesmente continue jorrando todo o mar de devaneios do “eu”. Silêncio real não haverá.
De fato, não seria ótimo se as pessoas pudessem estar presentes e ativas, em ação no mundo integralmente, naturalmente imersas no silêncio da presença em todos os momentos de seu dia a dia? Quem precisa de um quartinho especial de 20 metros quadrados quando toda a extensão da realidade está à nossa disposição para experimentar e viver cada instante?
Este é o modo de trabalho pleno, a vida em tempo zero, um contínuo insight sobre as ações e decisões que devemos tomar. Não há peso ou importância, pois quando se está imerso no aqui e agora não se busca um benefício pela decisão tomada ou um fruto decorrente da ação executada. Esta leveza é o respirar da liberdade. Isto não deve ser buscado em ‘outro lugar’, naquele emprego ideal, na pousada na praia... Isto está disponível agora, neste emprego exato, nesta circunstância atual. A presença não é condicionada a um “eu” que gosta (ou não) de uma situação. Não existe uma realidade “melhor” que outra para se estar atento e presente. E não existe outra realidade senão aquela que você está vivendo exatamente agora.  
Devemos perseguir a atencão integral - constante em intensidade e contínua no tempo - ao que acontece a cada momento, àquilo que nos é demandado pela nossa trilha de caminho na vida, nossa realidade, isto é o Dharma. Discernir o que o momento presente demanda de cada um de nós é um grande tesouro da prática meditativa, o graal do auto-conhecimento.


Abraços,
Marcos

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Meditação na rede

Olá amigos,
começando a aquecer os motores de 2011, voltaremos na semana de próxima semana com o grupo de meditação semanal.
Começo este ciclo do blog com uma grande oportunidade: Ivan fará um seminário on-line de meditação, será um pacote de 10 apresentações ao longo de 5 meses, cada sessão com duração de duas a três horas. 
Todos os detalhes estão descritos no texto abaixo, que também pode ser encontrado no endereço: 
A primeira sessão é dia 23 de fevereiro, portanto animem-se, o contato para inscrição deve ser feito diretamente através do e-mail: direccion@vedantaadvaita.com
Por favor divulguem aos seus amigos interessados no tema, será uma oportunidade única e muito valiosa para todos na trilha do auto-conhecimento.
abraços
marcos
SEMINARIO ON-LINE DE MEDITACION

Ya no hay duda que la implantacion de las nuevas tecnologias esta siendo muy importante para nuestras acciones cotidianas, y cada dia es posible compartir informacion con muchas personas desde cualquier parte del mundo.
Continuando con nuestro compromiso de divulgar las ensenanzas del Vedanta advaita en todo el mundo, queremos aprovechar los medios que nos ofrece Internet para plantear un SEMINARIO DE MEDITACION On-line dirigido por Sesha.
Acceder por este medio permite llegar a personas de diferentes paises de una forma inimaginable hasta ahora, refrescar conceptos, indagar sobre la practica meditativa y formular las preguntas que vayan apareciendo.
El seminario On-line que se plantea esta pensado para ser realizado en 10 sesiones a lo largo de unos 5 meses, a razon de entre 2 y 3 horas por sesion. Habra una primera sesion con exposicion teorica de los conceptos basicos necesarios para el buen conocimiento de la practica meditativa y unos 15 dias despues una segunda sesion que estara basada en preguntas de los propios asistentes formuladas como consecuencia de su experiencia practica.
Se daran pautas para que entre sesion y sesion sirvan de apoyo a los asistentes.
Asi pues, el seminario dara comienzo el MIERCOLES 23 DE FEBRERO DE 2011 a las 21:00 horas de Espana, y podra ser seguido en directo por todos aquellos interesados en conocer y/o profundizar en la practica meditativa bajo los canones del Vedanta advaita ensenados por Sesha.
Usaremos una plataforma de Internet que nos permita la interconexion On-line y la grabacion de la misma. Las grabaciones estaran a disposicion de los asistentes para el estudio y reflexion posterior.
Para el enriquecimiento mutuo de todos los que participemos en este proyecto que nace, seria aconsejable cierto compromiso para que los frutos que cosechemos al final del mismo, queden debidamente asentados.
La aportacion economica sera de 35 euros por dos sesiones.
Los estudiantes de paises de Sudamerica o que ya hayan estado con Sesha en algun seminario presencial en Espana, tendran un precio de 25 euros por dos sesiones.
Todas las conexiones seran a las 21:00 horas en ESPANA.
Te informamos que las sesiones van a ser grabadas, por lo que si no puedes asistir a alguna, al dia siguiente la tendras a tu disposicion en nuestra web.
Los pagos del seminario van a ser como sigue:
- Los asistentes con residencia en Espana deberan facilitarnos sus datos bancarios para poder hacerles la domiciliacion pertinente.
- Los asistentes del resto de paises deberan tener una cuenta en PAYPAL (es gratuita) con la cual hacer transferencias a nuestra cuenta de Paypal.

El CALENDARIO Y PROGRAMA completos seran los siguientes:

DIA 23 FEBRERO
Magistral
TEMARIO
Introduccion a la meditacion
La naturaleza inquieta de la mente Presenta-pasado y futuro
La naturaleza del Presente Definicion de Meditacion
Tareas para el mes

DIA 9 MARZO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores

DIA 23 MARZO
Magistral
TEMARIO
Meditacion Interna
Permanencia del Sujeto interior sobre los objetos mentales
La desconexion sensoria
Estado de observacion interna y caracteristicas
Tareas para el mes

DIA 6 ABRIL
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores

DIA 27 ABRIL
Magistral
TEMARIO
Meditacion externa
Permanencia del objeto externo sobre el sujeto mental
La ausencia del "yo"
Estado de observacion externo y sus caracteristicas
Tareas para el mes

DIA 11 MAYO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores

DIA 25 MAYO
Magistral
TEMARIO
La naturaleza de la No-dualidad
Cambio del paradigma tempo-espacial Estado de Concentracion interno/externo Estado de Meditacion interno/externo

DIA 8 JUNIO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores

DIA 22 JUNIO
Magistral
TEMARIO
Resumen
Los cinco estados de Conciencia
Meditacion Interna y Externa
El Presente
Tareas para el mes

DIA 6 JULIO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
Finalizacion del seminario
Información Organizador
INFORMACIÓN Y RESERVAS
Teléfono : 685 738 419
Persona de contacto: Jorge Rojo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tendências

A vida que vivemos é como um colar de inúmeras pérolas em que cada pérola é o instante que se apresenta como realidade. Há algo fundamental para se peceber e reconhecer: cada um dos momentos e acontecimentos é perfeito na medida em que existe justamente para que possamos vivê-lo. Eis aí uma diferença fundamental entre a percepção de realidade habitual ocidental e o Vedanta: não é o caso de estarmos imersos em uma imensa roda da história, um mundo dito real no qual somos inseridos, como se fosse possível observá-lo enquanto coisa real. É, sim, o caso de considerarmos que todas as experiências vividas por um indivíduo foram forjadas especificamente para que este as vivesse. O universo inteiro que o indivívuo percebe foi forjado de tal modo que ele pudesse viver as experiências que vive. E estas experiências, que incluem os atributos de personalidade, a família, o ambiente, o país, o contexto, são condicionadas pelas tendências (samskaras) trazidas no conjunto de seus ciclos anteriores pelo indivíduo. Ao final a personalidade não é mais que um subconjunto de todas as tendências sutis geradas anteriormente; estas tendências são corporificadas e tornadas aparentes no mundo dito real.
Como nascem estas tendências? Uma determinada forma de pensar, quando repetidamente acionada, começa a gerar reflexos em comportamentos e ações. O reforço constante desta forma de pensamento gera (ou reforça), ao longo da vida, hábitos de pensamento e reconhecimento. Nos habituamos a julgar, interpretar, interagir com o mundo segundo determinados padrões. A não-consciência destes hábitos os reforça de modo brutal - pois é através destes hábitos que nos sentimos agentes principais de nossas ações, através destes hábitos buscamos sempre o fruto das ações -  gerando as tendências. 
A morte leva o corpo físico e a forma pensamento chamada de personalidade, mas não as tendências geradas. Estas tendências são então reagrupadas ao conjunto total de tendências que já haviam sido geradas por esta mesma substância essencial de vida, de modo que no próximo ciclo um novo sub-conjunto de tendências será determinado para formatar o molde do novo colar de pérolas, as novas experiências que serão vividas, forjadas especificamente para aquela essência. 
Há uma única forma de não se gerar novas tendências: a presença, a atenção ao que está se sucedendo, a ação natural. Esta é também a única real liberdade.


abraços
marcos

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Wandering minds are unhappy minds

Pessoal, duas novidades.
Coloquei um novo vídeo (aqui em cima) muito bom do Ivan sobre a falsa identificação. Sobre isso, alguns tesouros (Astavakra Samhita): “Know that which has form to be unreal and the formless to be permanent... the world appears from the ignorance of the self and disappears with the knowledge of the self”.
Hoje recebi um e-mail (obrigado Capocchi!) com o link para um artigo muito divertido e instrutivo até para o mais cabeça-dura (segue link: http://tiny.cc/f8hds ). Trata-se de artigo da Scientific American relatando experiemento recém realizado por dois psicólogos para estudar a natureza da felicidade. Criaram um aplicativo para o Iphone que tocava aleatoriamente durante o dia e perguntava se a pessoa estava feliz, e se estava concentrada no que fazia ou pensando em outra coisa. O resultado (surpresa!) é que as pessoas ficam mais felizes quando concentradas no que fazem, e não quando fazem uma coisa e pensam em outra (ainda que a outra seja um ‘pensamento feliz’).
No artigo ainda há uma estimativa de que em mais de 50% das vezes as pessoas não estão naquilo que fazem; dadas as condições do experimento e minha própria experiência eu diria que este número é mais próximo de 95%.
O único “erro” do artigo é concluir que devemos “pensar no que estamos fazendo”; não! Devemos estar presentes no que fazemos, o que exclui o pensar sobre o que fazemos. Simplesmente fazer, estar, ser, e não pensar sobre fazer, pensar sobre estar, pensar sobre ser. A nossa mente ocidental não se cansa de pregar o pensamento...
Agora já tenho um artigo científico para convencer os céticos, ou pelo menos criar uma dúvida pertinente. Como se dois psicólogos fossem mais relevantes que cinco mil anos de filosofia e prática (rsrsrs). De todo modo é mais uma porta de entrada do mortal vírus advaita.


abraços
marcos