Ontem em alguma das redes sociais passei por uma discussão mais ou menos assim: “não seria ótimo se as empresas tivessem salas especiais de meditação onde as pessoas pudessem entrar em contato com sua espiritualidade durante o dia...”, e todos concordando que sim.
Muito simpático, mas errado.
O raciocínio parte de uma premissa fundamentalmente falsa: a espiritualidade como um campo diferente do restante da realidade diária. Se existe algo que podemos chamar de espiritualidade este algo “é” - simplesmente - antes de qualquer construção mental acerca de seu ilusório desenvolvimento ou evolução.
Não devemos perseguir, no meio de um dia intenso, alguns momentos de tranquilidade em um silencioso quarto com incenso e almofadas. Isto nos levará à criação de um hábito de separação: a “espiritualidade” só pode acontecer em alguns momentos do dia, sob condições especiais, e no restante do dia a dia voltamos para a “selva” personalística.
É um hábito perverso, pois guarda uma armadilha um pouco mais sutil: se durante 99% do seu dia você está submerso em pensamentos labirínticos da identidade egóica, a inércia certamente fará com que naqueles 15 minutos de espiitualidade silenciosa em um quarto especial simplesmente continue jorrando todo o mar de devaneios do “eu”. Silêncio real não haverá.
De fato, não seria ótimo se as pessoas pudessem estar presentes e ativas, em ação no mundo integralmente, naturalmente imersas no silêncio da presença em todos os momentos de seu dia a dia? Quem precisa de um quartinho especial de 20 metros quadrados quando toda a extensão da realidade está à nossa disposição para experimentar e viver cada instante?
Este é o modo de trabalho pleno, a vida em tempo zero, um contínuo insight sobre as ações e decisões que devemos tomar. Não há peso ou importância, pois quando se está imerso no aqui e agora não se busca um benefício pela decisão tomada ou um fruto decorrente da ação executada. Esta leveza é o respirar da liberdade. Isto não deve ser buscado em ‘outro lugar’, naquele emprego ideal, na pousada na praia... Isto está disponível agora, neste emprego exato, nesta circunstância atual. A presença não é condicionada a um “eu” que gosta (ou não) de uma situação. Não existe uma realidade “melhor” que outra para se estar atento e presente. E não existe outra realidade senão aquela que você está vivendo exatamente agora.
Devemos perseguir a atencão integral - constante em intensidade e contínua no tempo - ao que acontece a cada momento, àquilo que nos é demandado pela nossa trilha de caminho na vida, nossa realidade, isto é o Dharma. Discernir o que o momento presente demanda de cada um de nós é um grande tesouro da prática meditativa, o graal do auto-conhecimento.
Abraços,
Marcos
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Meditação na rede
Olá amigos,
começando a aquecer os motores de 2011, voltaremos na semana de próxima semana com o grupo de meditação semanal.
Começo este ciclo do blog com uma grande oportunidade: Ivan fará um seminário on-line de meditação, será um pacote de 10 apresentações ao longo de 5 meses, cada sessão com duração de duas a três horas.
Todos os detalhes estão descritos no texto abaixo, que também pode ser encontrado no endereço:
A primeira sessão é dia 23 de fevereiro, portanto animem-se, o contato para inscrição deve ser feito diretamente através do e-mail: direccion@vedantaadvaita.com
Por favor divulguem aos seus amigos interessados no tema, será uma oportunidade única e muito valiosa para todos na trilha do auto-conhecimento.
abraços
marcos
SEMINARIO ON-LINE DE MEDITACION
Ya no hay duda que la implantacion de las nuevas tecnologias esta siendo muy importante para nuestras acciones cotidianas, y cada dia es posible compartir informacion con muchas personas desde cualquier parte del mundo.
Continuando con nuestro compromiso de divulgar las ensenanzas del Vedanta advaita en todo el mundo, queremos aprovechar los medios que nos ofrece Internet para plantear un SEMINARIO DE MEDITACION On-line dirigido por Sesha.
Acceder por este medio permite llegar a personas de diferentes paises de una forma inimaginable hasta ahora, refrescar conceptos, indagar sobre la practica meditativa y formular las preguntas que vayan apareciendo.
El seminario On-line que se plantea esta pensado para ser realizado en 10 sesiones a lo largo de unos 5 meses, a razon de entre 2 y 3 horas por sesion. Habra una primera sesion con exposicion teorica de los conceptos basicos necesarios para el buen conocimiento de la practica meditativa y unos 15 dias despues una segunda sesion que estara basada en preguntas de los propios asistentes formuladas como consecuencia de su experiencia practica.
Se daran pautas para que entre sesion y sesion sirvan de apoyo a los asistentes.
Asi pues, el seminario dara comienzo el MIERCOLES 23 DE FEBRERO DE 2011 a las 21:00 horas de Espana, y podra ser seguido en directo por todos aquellos interesados en conocer y/o profundizar en la practica meditativa bajo los canones del Vedanta advaita ensenados por Sesha.
Usaremos una plataforma de Internet que nos permita la interconexion On-line y la grabacion de la misma. Las grabaciones estaran a disposicion de los asistentes para el estudio y reflexion posterior.
Para el enriquecimiento mutuo de todos los que participemos en este proyecto que nace, seria aconsejable cierto compromiso para que los frutos que cosechemos al final del mismo, queden debidamente asentados.
La aportacion economica sera de 35 euros por dos sesiones.
Los estudiantes de paises de Sudamerica o que ya hayan estado con Sesha en algun seminario presencial en Espana, tendran un precio de 25 euros por dos sesiones.
Todas las conexiones seran a las 21:00 horas en ESPANA.
Te informamos que las sesiones van a ser grabadas, por lo que si no puedes asistir a alguna, al dia siguiente la tendras a tu disposicion en nuestra web.
Los pagos del seminario van a ser como sigue:
- Los asistentes con residencia en Espana deberan facilitarnos sus datos bancarios para poder hacerles la domiciliacion pertinente.
- Los asistentes del resto de paises deberan tener una cuenta en PAYPAL (es gratuita) con la cual hacer transferencias a nuestra cuenta de Paypal.
El CALENDARIO Y PROGRAMA completos seran los siguientes:
DIA 23 FEBRERO
Magistral
TEMARIO
Introduccion a la meditacion
La naturaleza inquieta de la mente Presenta-pasado y futuro
La naturaleza del Presente Definicion de Meditacion
Tareas para el mes
DIA 9 MARZO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 23 MARZO
Magistral
TEMARIO
Meditacion Interna
Permanencia del Sujeto interior sobre los objetos mentales
La desconexion sensoria
Estado de observacion interna y caracteristicas
Tareas para el mes
DIA 6 ABRIL
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 27 ABRIL
Magistral
TEMARIO
Meditacion externa
Permanencia del objeto externo sobre el sujeto mental
La ausencia del "yo"
Estado de observacion externo y sus caracteristicas
Tareas para el mes
DIA 11 MAYO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 25 MAYO
Magistral
TEMARIO
La naturaleza de la No-dualidad
Cambio del paradigma tempo-espacial Estado de Concentracion interno/externo Estado de Meditacion interno/externo
DIA 8 JUNIO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
DIA 22 JUNIO
Magistral
TEMARIO
Resumen
Los cinco estados de Conciencia
Meditacion Interna y Externa
El Presente
Tareas para el mes
DIA 6 JULIO
Compartida
TEMARIO
Preguntas y respuestas sobre temas anteriores
Finalizacion del seminario
Información Organizador
INFORMACIÓN Y RESERVAS
Teléfono : 685 738 419
Persona de contacto: Jorge Rojo
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Tendências
A vida que vivemos é como um colar de inúmeras pérolas em que cada pérola é o instante que se apresenta como realidade. Há algo fundamental para se peceber e reconhecer: cada um dos momentos e acontecimentos é perfeito na medida em que existe justamente para que possamos vivê-lo. Eis aí uma diferença fundamental entre a percepção de realidade habitual ocidental e o Vedanta: não é o caso de estarmos imersos em uma imensa roda da história, um mundo dito real no qual somos inseridos, como se fosse possível observá-lo enquanto coisa real. É, sim, o caso de considerarmos que todas as experiências vividas por um indivíduo foram forjadas especificamente para que este as vivesse. O universo inteiro que o indivívuo percebe foi forjado de tal modo que ele pudesse viver as experiências que vive. E estas experiências, que incluem os atributos de personalidade, a família, o ambiente, o país, o contexto, são condicionadas pelas tendências (samskaras) trazidas no conjunto de seus ciclos anteriores pelo indivíduo. Ao final a personalidade não é mais que um subconjunto de todas as tendências sutis geradas anteriormente; estas tendências são corporificadas e tornadas aparentes no mundo dito real.
Como nascem estas tendências? Uma determinada forma de pensar, quando repetidamente acionada, começa a gerar reflexos em comportamentos e ações. O reforço constante desta forma de pensamento gera (ou reforça), ao longo da vida, hábitos de pensamento e reconhecimento. Nos habituamos a julgar, interpretar, interagir com o mundo segundo determinados padrões. A não-consciência destes hábitos os reforça de modo brutal - pois é através destes hábitos que nos sentimos agentes principais de nossas ações, através destes hábitos buscamos sempre o fruto das ações - gerando as tendências.
A morte leva o corpo físico e a forma pensamento chamada de personalidade, mas não as tendências geradas. Estas tendências são então reagrupadas ao conjunto total de tendências que já haviam sido geradas por esta mesma substância essencial de vida, de modo que no próximo ciclo um novo sub-conjunto de tendências será determinado para formatar o molde do novo colar de pérolas, as novas experiências que serão vividas, forjadas especificamente para aquela essência.
Há uma única forma de não se gerar novas tendências: a presença, a atenção ao que está se sucedendo, a ação natural. Esta é também a única real liberdade.
abraços
marcos
Como nascem estas tendências? Uma determinada forma de pensar, quando repetidamente acionada, começa a gerar reflexos em comportamentos e ações. O reforço constante desta forma de pensamento gera (ou reforça), ao longo da vida, hábitos de pensamento e reconhecimento. Nos habituamos a julgar, interpretar, interagir com o mundo segundo determinados padrões. A não-consciência destes hábitos os reforça de modo brutal - pois é através destes hábitos que nos sentimos agentes principais de nossas ações, através destes hábitos buscamos sempre o fruto das ações - gerando as tendências.
A morte leva o corpo físico e a forma pensamento chamada de personalidade, mas não as tendências geradas. Estas tendências são então reagrupadas ao conjunto total de tendências que já haviam sido geradas por esta mesma substância essencial de vida, de modo que no próximo ciclo um novo sub-conjunto de tendências será determinado para formatar o molde do novo colar de pérolas, as novas experiências que serão vividas, forjadas especificamente para aquela essência.
Há uma única forma de não se gerar novas tendências: a presença, a atenção ao que está se sucedendo, a ação natural. Esta é também a única real liberdade.
abraços
marcos
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Wandering minds are unhappy minds
Pessoal, duas novidades.
Coloquei um novo vídeo (aqui em cima) muito bom do Ivan sobre a falsa identificação. Sobre isso, alguns tesouros (Astavakra Samhita): “Know that which has form to be unreal and the formless to be permanent... the world appears from the ignorance of the self and disappears with the knowledge of the self”.
Hoje recebi um e-mail (obrigado Capocchi!) com o link para um artigo muito divertido e instrutivo até para o mais cabeça-dura (segue link: http://tiny.cc/f8hds ). Trata-se de artigo da Scientific American relatando experiemento recém realizado por dois psicólogos para estudar a natureza da felicidade. Criaram um aplicativo para o Iphone que tocava aleatoriamente durante o dia e perguntava se a pessoa estava feliz, e se estava concentrada no que fazia ou pensando em outra coisa. O resultado (surpresa!) é que as pessoas ficam mais felizes quando concentradas no que fazem, e não quando fazem uma coisa e pensam em outra (ainda que a outra seja um ‘pensamento feliz’).
No artigo ainda há uma estimativa de que em mais de 50% das vezes as pessoas não estão naquilo que fazem; dadas as condições do experimento e minha própria experiência eu diria que este número é mais próximo de 95%.
O único “erro” do artigo é concluir que devemos “pensar no que estamos fazendo”; não! Devemos estar presentes no que fazemos, o que exclui o pensar sobre o que fazemos. Simplesmente fazer, estar, ser, e não pensar sobre fazer, pensar sobre estar, pensar sobre ser. A nossa mente ocidental não se cansa de pregar o pensamento...
Agora já tenho um artigo científico para convencer os céticos, ou pelo menos criar uma dúvida pertinente. Como se dois psicólogos fossem mais relevantes que cinco mil anos de filosofia e prática (rsrsrs). De todo modo é mais uma porta de entrada do mortal vírus advaita.
abraços
marcos
Coloquei um novo vídeo (aqui em cima) muito bom do Ivan sobre a falsa identificação. Sobre isso, alguns tesouros (Astavakra Samhita): “Know that which has form to be unreal and the formless to be permanent... the world appears from the ignorance of the self and disappears with the knowledge of the self”.
Hoje recebi um e-mail (obrigado Capocchi!) com o link para um artigo muito divertido e instrutivo até para o mais cabeça-dura (segue link: http://tiny.cc/f8hds ). Trata-se de artigo da Scientific American relatando experiemento recém realizado por dois psicólogos para estudar a natureza da felicidade. Criaram um aplicativo para o Iphone que tocava aleatoriamente durante o dia e perguntava se a pessoa estava feliz, e se estava concentrada no que fazia ou pensando em outra coisa. O resultado (surpresa!) é que as pessoas ficam mais felizes quando concentradas no que fazem, e não quando fazem uma coisa e pensam em outra (ainda que a outra seja um ‘pensamento feliz’).
No artigo ainda há uma estimativa de que em mais de 50% das vezes as pessoas não estão naquilo que fazem; dadas as condições do experimento e minha própria experiência eu diria que este número é mais próximo de 95%.
O único “erro” do artigo é concluir que devemos “pensar no que estamos fazendo”; não! Devemos estar presentes no que fazemos, o que exclui o pensar sobre o que fazemos. Simplesmente fazer, estar, ser, e não pensar sobre fazer, pensar sobre estar, pensar sobre ser. A nossa mente ocidental não se cansa de pregar o pensamento...
Agora já tenho um artigo científico para convencer os céticos, ou pelo menos criar uma dúvida pertinente. Como se dois psicólogos fossem mais relevantes que cinco mil anos de filosofia e prática (rsrsrs). De todo modo é mais uma porta de entrada do mortal vírus advaita.
abraços
marcos
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A única escolha
Sempre falamos da pedra fundamental do auro-conhecimento que é o presente. Volta e meia aparece a pergunta: mas como vou saber se de fato estou presente ou não? A resposta é bem simples: se você está pensando sobre seu grau de presença, se você está julgando de alguma maneira, se você se pergunta se está presente, então você não está presente!
Quando há presença não há um “eu” psico-histórico que viva o instante de presença. É simples e paradoxal. Se há um instante de presença ele normalmente só é detectado pela figura da identidade egóica (eu) depois; é quando a presença morre que o eu pode utilizar a propriedade da memória para buscar o “cheiro” da sensação e se dizer ter estado presente.
Entretanto, para nós, ainda ignorantes, a compreensão de que houve um instante de presença é bastante importante, pois nos dá pistas e sinais do que não é um estado de presença, e assim permite que, a cada momento de não-presença este possa ser, cada vez mais rapidamente, reconhecido.
Uma vez que você reconhece que está em um estado de ausência (pensando, divagando), isto é, que não está vivendo aquilo que a realidade oferece naquele mesmo instante, você tem apenas uma alternativa: optar por permanecer ausente, ou voltar ao presente. Esta é a escolha que vai permear todos os momentos da vida de quem perdeu a inocência sobre a realidade de se estar presente. Uma vez que se tenha dado conta do que é o estar presente, ainda que em um grau bastante simples, a ausência (não-presença) cobra um preço cada vez maior.
Não há nenhuma outra escolha de tamanha magnitude na vida como essa uma vez que ela se faça aparente. Este é o “ser ou não ser”.
Quem estiver com frio na barriga ante à possibilidade de perder a inocência pode aparecer no grupo de meditação das 4af’s para experimentar um pouco mais.
abraços
marcos
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Abstinência
No encontro da semana passada do grupo de meditação conversamos sobre o cultivo de um primeiro nível de discernimento em nosso dia a dia.
A colcha de retalhos (também conhecidos por elementais, hábitos, ec.) que é nossa personalidade tem alguns poucos mecanismos básicos de negociação para garantir sua sobrevivência segundo as tendências (samskaras) trazidas no pacote deste ciclo de vida. Os primeiros passos no auto-conhecimento são direcionados a conhecer, ou reconhecer, estes mecanismos. Esta etapa não é muito complexa, e sempre vem acompanhada de assombro, surpresa, dor, emoção, etc. Porém a descoberta é apenas o começo. Muitas vezes nos apaixonamos ainda mais por estes mecanismos, nos dedicamos a estudá-los em detalhes , em toda a sua profundidade, e assim garantimos que nunca nos preocuparemos a encontrar a saída do labirinto, apenas nos deixamos passear mais e mais dentro dele. A questão não é descobrir causas ou detalhes destes mecanismos-raiz, mas sim reconhecer sua existência, e a partir daí aprender a desinflá-los, dia após dia.
Estes mecanismos só existem, naturalmente, como forma de expressão da identidade “eu” no mundo; enquanto forma, só existem como pensamentos. Assim, uma presença intensa no cotidiano naturalmente murcha a bexiga destes mecanismos. A reação natural e espontânea ante aos acontecimentos trazidos pelo presente deixará um espaço potencial cada vez menor para se enfiem as unhas compridas da personalidade no corpo do presente.
Mas como fazer no nosso dia a dia? Uma boa pista é buscar estar consciente de cada decisão que tomamos, em vez de nos deixarmos levar por um maremoto de possibilidades construídas mentalmente, que pouco tem a ver com a realidade. É uma primeira aproximação ao que o Ivan chama de estado de não-dúvida. Por exemplo: você precisa ir à academia fazer ginástica; perceba o que é mais inteligente neste momento e resolva. Não é uma questão de dever ou moral... ir ou não ir à academia não é o ponto. O ponto é o processo: se você está metido em uma dezena de razões para não ir, ou para ir, já estamos mal...
Uma outra pista é aprender a reconhecer cada vez mais prontamente as negociatas internas que fazemos para “ganhar” algo a que nos apegamos muito, geralmente de fundo emocional. Por exemplo: já que tive um dia muito difícil eu mereço comer esta barra de chocolate! Tudo bem, não precisa ser comida, podem ser duas horas de internet, ou um copo de uísque, ou..., bom cada um sabe bem de suas próprias negociações... especialmente nas relações. Se há negociação há um “eu” buscando justificar. Um modo rápido, mas não tranquilo, de perceber estes nossos apegos e justificativas é a prática da abstinência (por algum período de tempo, pelo menos) daquilo que apreciamos tanto. Observando as reações que surgem, a intensidade emocional, o arrazoado inteligente para burlar a própria proposta de abstinência, podemos ter uma pista do tamanho do poder que esta colcha de retalhos exerce, a potência com que estes mecanismos-raiz da personalidade nos subjugam, ainda que através de sutis e inteligentes justificativas.
Ao final, a prática da meditação é a abstinência última, a abstinência do próprio eu.
abraços
marcos
A colcha de retalhos (também conhecidos por elementais, hábitos, ec.) que é nossa personalidade tem alguns poucos mecanismos básicos de negociação para garantir sua sobrevivência segundo as tendências (samskaras) trazidas no pacote deste ciclo de vida. Os primeiros passos no auto-conhecimento são direcionados a conhecer, ou reconhecer, estes mecanismos. Esta etapa não é muito complexa, e sempre vem acompanhada de assombro, surpresa, dor, emoção, etc. Porém a descoberta é apenas o começo. Muitas vezes nos apaixonamos ainda mais por estes mecanismos, nos dedicamos a estudá-los em detalhes , em toda a sua profundidade, e assim garantimos que nunca nos preocuparemos a encontrar a saída do labirinto, apenas nos deixamos passear mais e mais dentro dele. A questão não é descobrir causas ou detalhes destes mecanismos-raiz, mas sim reconhecer sua existência, e a partir daí aprender a desinflá-los, dia após dia.
Estes mecanismos só existem, naturalmente, como forma de expressão da identidade “eu” no mundo; enquanto forma, só existem como pensamentos. Assim, uma presença intensa no cotidiano naturalmente murcha a bexiga destes mecanismos. A reação natural e espontânea ante aos acontecimentos trazidos pelo presente deixará um espaço potencial cada vez menor para se enfiem as unhas compridas da personalidade no corpo do presente.
Mas como fazer no nosso dia a dia? Uma boa pista é buscar estar consciente de cada decisão que tomamos, em vez de nos deixarmos levar por um maremoto de possibilidades construídas mentalmente, que pouco tem a ver com a realidade. É uma primeira aproximação ao que o Ivan chama de estado de não-dúvida. Por exemplo: você precisa ir à academia fazer ginástica; perceba o que é mais inteligente neste momento e resolva. Não é uma questão de dever ou moral... ir ou não ir à academia não é o ponto. O ponto é o processo: se você está metido em uma dezena de razões para não ir, ou para ir, já estamos mal...
Uma outra pista é aprender a reconhecer cada vez mais prontamente as negociatas internas que fazemos para “ganhar” algo a que nos apegamos muito, geralmente de fundo emocional. Por exemplo: já que tive um dia muito difícil eu mereço comer esta barra de chocolate! Tudo bem, não precisa ser comida, podem ser duas horas de internet, ou um copo de uísque, ou..., bom cada um sabe bem de suas próprias negociações... especialmente nas relações. Se há negociação há um “eu” buscando justificar. Um modo rápido, mas não tranquilo, de perceber estes nossos apegos e justificativas é a prática da abstinência (por algum período de tempo, pelo menos) daquilo que apreciamos tanto. Observando as reações que surgem, a intensidade emocional, o arrazoado inteligente para burlar a própria proposta de abstinência, podemos ter uma pista do tamanho do poder que esta colcha de retalhos exerce, a potência com que estes mecanismos-raiz da personalidade nos subjugam, ainda que através de sutis e inteligentes justificativas.
Ao final, a prática da meditação é a abstinência última, a abstinência do próprio eu.
abraços
marcos
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Ramana, e quem sou eu afinal?
Ramana Maharshi propunha aos que o procuravam um método aparantemente muito simples de prática na busca do auto-conhecimento, chamado de método da auto-inquirição. Este método, basicamente, se resumia na prática de atenção interna através de uma pergunta raiz: quem sou eu?
No mundo interno existem várias formas de seguir o perfume do presente, e cabe a cada um encontrar aquela mais apropriada ao seu próprio sistema mental e nervoso. Uma das formas é esta proposta por Ramana, que, no entanto, é muitas vezes mal interpretada por nós.
Existem basicamente duas maneiras de se fazer esta pergunta a si mesmo. Na primeira a pergunta é feita de forma, digamos, leviana, corriqueira, como quem pergunta sobre o tempo. Feita desta maneira isto será simplesmente o início de um processo interminável de pensamentos enadeados. Quem sou eu? eu mesmo, ora... e quem sou este eu mesmo? eu... e assim vai ladeira abaixo, uma diversão para a personalidade, uma distração total do que pode ser o presente neste momento. Nesta altura estamos totalmente imersos em pensamentos sobre o tema, o que, como sabemos, não tem validade por ser um estado não associado ao presente.
A segunda forma, é aquela em que toda a atenção, com um grau de curiosidade absoluta, está servindo como mola propulsora da pergunta ‘quem sou eu?’; ao formulá-la há uma genuína intenção de esperar uma resposta. É o mesmo tipo de foco de atenção que existe quando você aposta na mega sena, e ouve as dezenas sorteadas; imagine que você já acertou cinco, e a sexta vai ser anunciada... onde está sua atenção? divagando dobre o fim de semana, ou sobre a mágoa com a irmã, ou sobre ... claro que não, a atenção está 100% voltada ao instante presente, aguardando a sexta dezena! É este grau de atenção que é necessário para se esperar a resposta de uma pergunta do quilate de ‘quem sou eu’. Surge então, no momento em que a questão se propõe, um estado de surpresa com a própria questão colocada. A mente linear, sem encontrar resposta dialética (por comparação com conteúdos prévios armazenados na memória) se vê por um instante paralisada. Manas (a atividade mental) estaciona subitamente, como um máquina engripada por uma corrente quebrada. Permanecendo aí, com atenção firmemente postada no observador que percebe o vazio de respostas, pode nos ser oferecida a probabildiade de dilatação do vazio e do silêncio. Com a mente quieta, por pouquíssimos instantes, é possível que budhi se faça aparente. Este é o princípio do processo de silêncio, quiçá da meditação.
abraços
marcos
No mundo interno existem várias formas de seguir o perfume do presente, e cabe a cada um encontrar aquela mais apropriada ao seu próprio sistema mental e nervoso. Uma das formas é esta proposta por Ramana, que, no entanto, é muitas vezes mal interpretada por nós.
Existem basicamente duas maneiras de se fazer esta pergunta a si mesmo. Na primeira a pergunta é feita de forma, digamos, leviana, corriqueira, como quem pergunta sobre o tempo. Feita desta maneira isto será simplesmente o início de um processo interminável de pensamentos enadeados. Quem sou eu? eu mesmo, ora... e quem sou este eu mesmo? eu... e assim vai ladeira abaixo, uma diversão para a personalidade, uma distração total do que pode ser o presente neste momento. Nesta altura estamos totalmente imersos em pensamentos sobre o tema, o que, como sabemos, não tem validade por ser um estado não associado ao presente.
A segunda forma, é aquela em que toda a atenção, com um grau de curiosidade absoluta, está servindo como mola propulsora da pergunta ‘quem sou eu?’; ao formulá-la há uma genuína intenção de esperar uma resposta. É o mesmo tipo de foco de atenção que existe quando você aposta na mega sena, e ouve as dezenas sorteadas; imagine que você já acertou cinco, e a sexta vai ser anunciada... onde está sua atenção? divagando dobre o fim de semana, ou sobre a mágoa com a irmã, ou sobre ... claro que não, a atenção está 100% voltada ao instante presente, aguardando a sexta dezena! É este grau de atenção que é necessário para se esperar a resposta de uma pergunta do quilate de ‘quem sou eu’. Surge então, no momento em que a questão se propõe, um estado de surpresa com a própria questão colocada. A mente linear, sem encontrar resposta dialética (por comparação com conteúdos prévios armazenados na memória) se vê por um instante paralisada. Manas (a atividade mental) estaciona subitamente, como um máquina engripada por uma corrente quebrada. Permanecendo aí, com atenção firmemente postada no observador que percebe o vazio de respostas, pode nos ser oferecida a probabildiade de dilatação do vazio e do silêncio. Com a mente quieta, por pouquíssimos instantes, é possível que budhi se faça aparente. Este é o princípio do processo de silêncio, quiçá da meditação.
abraços
marcos
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
467.200 horas
Precisamos aprender a ouvir o som da atenção. Precisamos aprender a sentir a consistência firme de um estado de presença. A atenção é uma propriedade da Consciência, a propriedade que permite que tenhamos capacidade de cognição como indivíduos.
Sem atenção não perceberíamos coisa alguma, o fato de percebermos algo denota a existência da atenção. De verdade nunca estamos desatentos, pois a atenção sempre está; pode estar direcionada para algo que não seja o que ocorre no instante presente, e estaríamos desatentos ao que ocorre naquele instante, mas ainda assim atentos a alguma outra corrente de informações, como nossos devaneios, por exemplo.
A atenção está presente continuamente, segundo após segundo, um jorro incessante; desde o nascimento até a morte, a questão é: o que fazemos com ela? para onde direcionamos este jorro ao longo de nossas 467.200 horas de vida (para uma vida de 80 anos, em vigília de 16 horas por dia)? Supondo que nos primeiros seis anos de vida estávamos mais presentes, e que talvez, por misericórdia ou sorte, em 5 minutos a cada hora estejamos realmente presentes (sendo bem bondoso na estimativa), chegamos à conclusão que desperdiçamos 68 anos de vida em vigília em nossos devaneios... aleluia!
Imaginem a potência de 68 anos de hábitos de pensamento continuamente pisados e repisados! Assim se criam as tendências de nexo entre os ciclos de vida, assim se criam as condições kármicas, assim se perpetua a roda da ignorância.
Considerando que todos nós que lemos este texto ainda temos disponibilidade de atenção, há que se ter o senso de urgência de se perguntar o que realmente desejamos fazer com este fluxo incessante de vida e presença representado pela atenção.
Há que se aprender a escutar o som da atenção nas práticas de meditação interna, notar suas nuances, sua potência, sua volatilidade; há que se investigar a atenção trazendo-a para si mesma. Esta prática exercita e fortalece a capacidade de se perceber perdido em devaneios no dia a dia. Há que se estar pronto para, ao primeiro sinal de distração, trazer a atenção de volta para a realidade que se apresenta, uma e outra vez. A realidade, em seus múltiplos objetos que se sucedem no instante presente, puxa e demanda nossa atenção, temos apenas que deixar que o fluxo natural siga seu rumo, isto é, quando em ação no dia a dia a realidade é prioritária, não nossos devaneios. A atenção é demandada pelo presente que acontece, pelo mundo. A mente linear é que, ao gerar a ilusão da diferença, da individualidade criadora, puxa a atenção de volta para si mesma, para os devaneios eternos que dão a sensação de permanência a um “eu” impermanente. Há que se liberar o navegar no fluxo de atenção natural para buscar a cor real e não sua interpretação; o som que se ouve e não sua memória; o sabor do instante e não sua implicação futura.
abraços
marcos
Sem atenção não perceberíamos coisa alguma, o fato de percebermos algo denota a existência da atenção. De verdade nunca estamos desatentos, pois a atenção sempre está; pode estar direcionada para algo que não seja o que ocorre no instante presente, e estaríamos desatentos ao que ocorre naquele instante, mas ainda assim atentos a alguma outra corrente de informações, como nossos devaneios, por exemplo.
A atenção está presente continuamente, segundo após segundo, um jorro incessante; desde o nascimento até a morte, a questão é: o que fazemos com ela? para onde direcionamos este jorro ao longo de nossas 467.200 horas de vida (para uma vida de 80 anos, em vigília de 16 horas por dia)? Supondo que nos primeiros seis anos de vida estávamos mais presentes, e que talvez, por misericórdia ou sorte, em 5 minutos a cada hora estejamos realmente presentes (sendo bem bondoso na estimativa), chegamos à conclusão que desperdiçamos 68 anos de vida em vigília em nossos devaneios... aleluia!
Imaginem a potência de 68 anos de hábitos de pensamento continuamente pisados e repisados! Assim se criam as tendências de nexo entre os ciclos de vida, assim se criam as condições kármicas, assim se perpetua a roda da ignorância.
Considerando que todos nós que lemos este texto ainda temos disponibilidade de atenção, há que se ter o senso de urgência de se perguntar o que realmente desejamos fazer com este fluxo incessante de vida e presença representado pela atenção.
Há que se aprender a escutar o som da atenção nas práticas de meditação interna, notar suas nuances, sua potência, sua volatilidade; há que se investigar a atenção trazendo-a para si mesma. Esta prática exercita e fortalece a capacidade de se perceber perdido em devaneios no dia a dia. Há que se estar pronto para, ao primeiro sinal de distração, trazer a atenção de volta para a realidade que se apresenta, uma e outra vez. A realidade, em seus múltiplos objetos que se sucedem no instante presente, puxa e demanda nossa atenção, temos apenas que deixar que o fluxo natural siga seu rumo, isto é, quando em ação no dia a dia a realidade é prioritária, não nossos devaneios. A atenção é demandada pelo presente que acontece, pelo mundo. A mente linear é que, ao gerar a ilusão da diferença, da individualidade criadora, puxa a atenção de volta para si mesma, para os devaneios eternos que dão a sensação de permanência a um “eu” impermanente. Há que se liberar o navegar no fluxo de atenção natural para buscar a cor real e não sua interpretação; o som que se ouve e não sua memória; o sabor do instante e não sua implicação futura.
abraços
marcos
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Nosso leque de dons
No encontro do grupo de meditação de 4af na semana passada falávamos sobre atividades que nos inclinam mais naturalmente à presença, como identificá-las e fazer delas um trampolim para a presença mais frequente em nosso dia a dia.
Todos temos dons naturais - poucos, normalmente, mas temos. Durante a infância estes dons transparecem, se fazem evidentes com bastante facilidade. Entretanto nossa educação não prioriza a capacidade de detectar e estimular estes dons na juventude. Ao contrário, estabelece moldes únicos que padronizam aquilo que se imagina que possivelmente a sociedade mais reconhecerá como modelo de sucesso. Assim nós - em nosso próprio processo de amadurecimento desde crianças - nos adaptamos, nos tornamos geralmente máquinas de esforço na busca da adaptação. No meio do caminho ‘esquecemos’ nossos dons em alguma esquina temporal. Daí é um pequeno pulo para nos tornarmos adultos que se esforçam brutalmente para chegar lá (onde mesmo?). Este esforço muitas vezes é cruel, pois com a ignorância habitual que temos sobre nós mesmos é bem possível que focalizemos o esforço em campos e naturezas de atividades que estão distantes de nossos dons.
Quando estamos realizando uma atividade na qual somos destros esta se realiza com menor esforço. Quando desenvolvemos nossos dons naturais é muito mais simples estar em um estado de presença enquanto a ação se realiza. Assim, se podemos identificar estes dons, se podemos estimular por mais vezes ações nas quais somos destros, é mais natural que estejamos mais presentes - e mais do que isso, será mais provável nos darmos conta que estamos presentes. Daqui surge um trampolim essencial para nosso dia a dia de auto-conhecimento: a partir da compreensão limpa do que é um estado de presença, fica absolutamente claro o que não é um estado de presença! O estado de presença não é diferente conforme a atividade; a presença é sempre a presença. Aquilo que é consciente não varia, não muda. Deste modo uma vez que se tenha experimentado a consistência, o gosto, o perfume do estado de presença, não há mais dúvida: sabe-se com total clareza o que não é um estado presente no dia a dia. Como o presente sempre está existindo a cada instante, desde o nascimento até a morte, não há um momento que não requeira a presença para que seja pleno; o eixo que se ganha ao haver presença em uma ação natural (neste caso aquela que requer o uso de um de nossos dons) não se perde desde que haja simultaneamente a compreensão de se estar presente. (!!!) E isto basta para muitos e muitos anos de prática e auto-conhecimento.
abraços
marcos
Todos temos dons naturais - poucos, normalmente, mas temos. Durante a infância estes dons transparecem, se fazem evidentes com bastante facilidade. Entretanto nossa educação não prioriza a capacidade de detectar e estimular estes dons na juventude. Ao contrário, estabelece moldes únicos que padronizam aquilo que se imagina que possivelmente a sociedade mais reconhecerá como modelo de sucesso. Assim nós - em nosso próprio processo de amadurecimento desde crianças - nos adaptamos, nos tornamos geralmente máquinas de esforço na busca da adaptação. No meio do caminho ‘esquecemos’ nossos dons em alguma esquina temporal. Daí é um pequeno pulo para nos tornarmos adultos que se esforçam brutalmente para chegar lá (onde mesmo?). Este esforço muitas vezes é cruel, pois com a ignorância habitual que temos sobre nós mesmos é bem possível que focalizemos o esforço em campos e naturezas de atividades que estão distantes de nossos dons.
Quando estamos realizando uma atividade na qual somos destros esta se realiza com menor esforço. Quando desenvolvemos nossos dons naturais é muito mais simples estar em um estado de presença enquanto a ação se realiza. Assim, se podemos identificar estes dons, se podemos estimular por mais vezes ações nas quais somos destros, é mais natural que estejamos mais presentes - e mais do que isso, será mais provável nos darmos conta que estamos presentes. Daqui surge um trampolim essencial para nosso dia a dia de auto-conhecimento: a partir da compreensão limpa do que é um estado de presença, fica absolutamente claro o que não é um estado de presença! O estado de presença não é diferente conforme a atividade; a presença é sempre a presença. Aquilo que é consciente não varia, não muda. Deste modo uma vez que se tenha experimentado a consistência, o gosto, o perfume do estado de presença, não há mais dúvida: sabe-se com total clareza o que não é um estado presente no dia a dia. Como o presente sempre está existindo a cada instante, desde o nascimento até a morte, não há um momento que não requeira a presença para que seja pleno; o eixo que se ganha ao haver presença em uma ação natural (neste caso aquela que requer o uso de um de nossos dons) não se perde desde que haja simultaneamente a compreensão de se estar presente. (!!!) E isto basta para muitos e muitos anos de prática e auto-conhecimento.
abraços
marcos
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Aprendizagem e Educação
Estive em viagem, e aproveitei para participar do curso do Ivan em Barcelona - Educação para uma vida plena. Dos cerca de cem participantes 1/3 eram terapeutas e 1/3 professores, a maioria sem conhecimento prévio do Vedanta. Conversando com alguns era tão divertido ver os olhos brilhando e a mente a 1000 por hora, tentado se dar conta de toda aquela novidade, uma visão de cabeça para baixo sobre o que é a percepção da realidade ... real.
Aprendizagem e compreensão na primeira infância, crianças, adolescência e adultos, como os diversos componentes da mente se comportam e amadurecem, como a dinâmica entre eles possibilita (ou dificulta) o processo natural de aprendizagem. Como atuar em cada etapa (como pais, professores, terapeutas, líderes, coaches, gestores...) para que a janela da aprendizagem se abra, quais são os elementos de contexto que precisam ser criados - e sustentados.
Claro que não podia faltar um pouco de tempero: quem, afinal de contas, aprende? Onde está nosso eu quando a compreensão se dá - e quais as dinâmicas dos componentes da mente enquanto isto acontece?
E, ao final, um golpe sem dó: se aquele que busca construir as condições para um processo de aprendizagem não tem ele mesmo a experiência da presença, o caminho será muito difícil. Aqui, neste campo, não se trata de decorar uma técnica e repassar, não se trata de compreensão teórica, digestão a seco de um conteúdo e repetição. Se trata de ter conhecido e compreendido a partir da sua própria experiência pessoal, experiência real da vida como um só instante eterno, ainda que por vezes fugaz. Se buscamos atuar junto às pessoas (filhos, colegas, empregados, clientes) para que possam trilhar um caminho de aprendizagem e compreensão, precisamos nós mesmos estar em contínua trilha.
As ramificações são imensas: educação de filhos, estruturas pedagógicas, trabalhos de desenvolvimento com adolescentes, andragogia, processos de grupos e equipes, terapia, desenvolvimento de liderança, coaching, gestão... as bases são elegantes e sólidas, agora cabe buscar através da própria experiência as pesquisas para o desenvolvimento em todos estes campos... isto tudo com certeza ainda vai dar um bom livro.
Por falar em livro, no site da associação Vedanta Advaita (www.vedantaadavaita.com) existem dois livros do Ivan que podem ser baixados em formato pdf de graça: ‘El eterno presente’ e ‘La paradoja divina’ - dêem uma olhada, não preciso nem dizer que vale muito a pena.
abraços
marcos
Aprendizagem e compreensão na primeira infância, crianças, adolescência e adultos, como os diversos componentes da mente se comportam e amadurecem, como a dinâmica entre eles possibilita (ou dificulta) o processo natural de aprendizagem. Como atuar em cada etapa (como pais, professores, terapeutas, líderes, coaches, gestores...) para que a janela da aprendizagem se abra, quais são os elementos de contexto que precisam ser criados - e sustentados.
Claro que não podia faltar um pouco de tempero: quem, afinal de contas, aprende? Onde está nosso eu quando a compreensão se dá - e quais as dinâmicas dos componentes da mente enquanto isto acontece?
E, ao final, um golpe sem dó: se aquele que busca construir as condições para um processo de aprendizagem não tem ele mesmo a experiência da presença, o caminho será muito difícil. Aqui, neste campo, não se trata de decorar uma técnica e repassar, não se trata de compreensão teórica, digestão a seco de um conteúdo e repetição. Se trata de ter conhecido e compreendido a partir da sua própria experiência pessoal, experiência real da vida como um só instante eterno, ainda que por vezes fugaz. Se buscamos atuar junto às pessoas (filhos, colegas, empregados, clientes) para que possam trilhar um caminho de aprendizagem e compreensão, precisamos nós mesmos estar em contínua trilha.
As ramificações são imensas: educação de filhos, estruturas pedagógicas, trabalhos de desenvolvimento com adolescentes, andragogia, processos de grupos e equipes, terapia, desenvolvimento de liderança, coaching, gestão... as bases são elegantes e sólidas, agora cabe buscar através da própria experiência as pesquisas para o desenvolvimento em todos estes campos... isto tudo com certeza ainda vai dar um bom livro.
Por falar em livro, no site da associação Vedanta Advaita (www.vedantaadavaita.com) existem dois livros do Ivan que podem ser baixados em formato pdf de graça: ‘El eterno presente’ e ‘La paradoja divina’ - dêem uma olhada, não preciso nem dizer que vale muito a pena.
abraços
marcos
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